Janones acusado de ensinar petistas a enganar eleitores

Deputado relatou métodos usados em campanhas digitais e afirmou que o importante é construir narrativas convincentes

O Partido dos Trabalhadores (PT) promoveu nesta semana um treinamento voltado à militância digital e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apresentado como uma iniciativa para organizar a atuação dos simpatizantes nas redes sociais e fortalecer a defesa da democracia, o evento teve como principal destaque a participação do deputado federal André Janones (Avante-MG).

Durante a transmissão, Janones compartilhou estratégias de comunicação utilizadas em campanhas políticas e relatou episódios de sua atuação nas redes sociais. As declarações geraram críticas de adversários políticos, que acusaram o parlamentar de ensinar métodos destinados a enganar eleitores e manipular a percepção pública sem necessariamente recorrer a informações falsas de forma explícita.

Um dos exemplos citados pelo deputado envolveu a divulgação de fotografias do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao lado do ex-presidente Fernando Collor. Segundo Janones, ele utilizou as imagens para sustentar a narrativa de que Bolsonaro poderia nomear Collor para um ministério caso fosse reeleito em 2022.

“Liguei pros meus assessores e falei imprime pra mim achei no google imagens e imagens do lula do bolsonaro com o colo imprime colorido para aparecer foto me entregar em cinco minutos eu abri uma live falei urgente eu consegui aqui exclusiva as fotos que comprovam a ligação do Bolsonaro com o color tá aqui as fotos e se o bolsonaro foi reeleito presidente ele poderá nomear o Collor ministro. E poderia mesmo, não tem nada que impediu. O Collor estava com os direitos políticos dele ativos, ele poderia ser nomeado. Então, não era uma mentira”, afirmou.

Outro caso mencionado pelo parlamentar envolveu a divulgação de mensagens sobre um aparelho celular atribuído ao ex-ministro Gustavo Bebianno. Janones contou que anunciou publicamente que revelaria conteúdos do dispositivo, gerando forte repercussão nas redes sociais. Posteriormente, segundo ele, o material não continha informações relevantes.

“Não é mentir, não é criar fake news, é contar a sua versão dos fatos. E aí, o que eu fiz na época? Eu tinha um celular que me foi passado por uma pessoa que coordenou a campanha do Bolsonaro em 2018 e que era então meu aliado. E nesse celular tinha conteúdos do celular do Bebianno, imagens de bastidores que ninguém nunca tinha visto. Então, eu tinha mesmo esse conteúdo. Eu fui na rede social e falei, olha, recebi os conteúdos do celular do Bebianno e vou soltar a qualquer momento. E eles tomou conta da internet, desviou o foco de lá, eles tremeram tudo. Não era uma mentira, eu tinha o conteúdo. O conteúdo era o Bebianno servindo água para o Bolsonaro, conversa de bastidor, não tinha nada demais”, declarou.

As falas repercutiram entre opositores do governo, que interpretaram os exemplos apresentados pelo deputado como uma defesa de técnicas voltadas a induzir eleitores ao erro por meio da construção de narrativas politicamente favoráveis, ainda que baseadas em fatos verdadeiros ou parcialmente verdadeiros. Veja o vídeo abaixo:

O episódio reacendeu o debate sobre os limites da comunicação política nas redes sociais, o uso de narrativas para influenciar o eleitorado e a responsabilidade de partidos e lideranças na disseminação de informações durante campanhas e disputas políticas.

Até o momento, o PT sustenta que o treinamento teve como objetivo capacitar sua militância para ampliar o alcance de conteúdos políticos nas plataformas digitais e fortalecer a atuação de apoiadores do governo no ambiente online.

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