Poder sem Pudor




Poder sem Pudor

Cultura musical

Guerra à burocracia

Certa vez, ao ler um discurso escrito pelo seu “ghost-writer”, o governador Benedicto Valadares foi surpreendido pela palavra “quiçá”. E não se perturbou: pronunciou-a “cuíca”. Tempos depois, numa visita ao Grande Hotel Brasil, de Araxá, deparou-se com um conjunto musical e quis saber o nome dos instrumentos. Quando foi apresentado a uma “cuíca”, ele reagiu: “Como? “Cuíca”? Não, nessa não me pegam mais...”

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Guerra à burocracia

Guerra à burocracia

Quando Hélio Beltrão foi ministro da Desburocratização, governos estaduais brigavam pela criação de novas superintendências regionais, inspiradas na Sudene e na Sudam. Foi quando falaram na criação da Sudeco, a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste. Beltrão destruiu a proposta: “Bem, poderíamos criar também uma Superintendência para o Vale do São Francisco, a Suvale, e juntar com essa Sudeco e formar a Suvaco...” Mal sabia o visionário Hélio Beltrão que todos esses cabides seriam criados e recriados. Só faltou a Suvaco.

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Um chato de botina

Um chato de botina

Cada “aniversário” do AI-5 faz lembrar muitos personagens, mas pouco se falou do Chefe do Gabinete Militar do general-presidente Costa e Silva. O general Jayme Portella tinha fama de ultradireitista e de ultrachato. Um jornalista perguntou a um oficial do Gabinete Militar, na época, se o general Jayme era mesmo mal-humorado ou era só aparência. “É verdade”, confirmou o oficial, com sinceridade. “Ele é tão complicado que calça 40, mas usa 37 só pra conservar o mau humor”, ironizou.

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Olhos bem fechados

Olhos bem fechados

Conhecido cabeça dura udenista, Oscar Dias Correia era adversário ferrenho de Juscelino Kubitschek (PSD) e estava certa vez Poço de Caldas quando telefonou a um amigo de Andradas, avisando que viajaria ao seu encontro. O homem observou, satisfeito: “Bem, agora, com a nova estrada, o senhor pode vir mais rápido!” Correia se ofendeu com a referência à importante obra rodoviária de JK: “Vou pela estrada antiga. Ou você acha que vou dar prestígio para essa estrada do Juscelino?”

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Motorista disciplinado

Motorista disciplinado

Vice-prefeito de Icó (CE), Fabrício Moreira contratou uma figura folclórica da cidade, Joaquim dos Santos, como motorista. Mas Joaquim não era propriamente um ás do volante. Certa vez, em viagem a um distrito vizinho, eles desciam a perigosa ladeira da Bertioga, quando Fabrício Moreira viu que uma carreta descendo na contramão. Ordenou, com um grito: “Joaquim, desvie o carro para o acostamento!” O homem argumentou: “Posso não, doutor, eles é que estão errados.” Fabrício repetiu a ordem várias vezes, até que perdeu a paciência, tomou a direção e desviou o carro, ele mesmo, do desastre iminente. E desabafou: “Joaquim seu maluco, no céu não tem Detran!”

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Seguro contra maus espíritos

Seguro contra maus espíritos

Quando era diretor do Banco da Amazônia, o engenheiro Orion Klautau precisava tomar uma decisão importante, quando se lembrou que a sua secretária era espírita kardecista. Mesmo sendo católico fervoroso, ele pediu ajuda à assessora para “incorporar” o espírito do presidente John Kennedy, de quem é admirador. Mas suplicou: “Fique aqui por perto, porque pode baixar o Barata...” Referia-se a Magalhães Barata, ex-governador do Pará.

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Acabou na penitenciária

Acabou na penitenciária

Coronel Jardim, ex-prefeito de Diamantina (MG), adorava contar a conversas que teve certa vez com um fazendeiro local: “Sabe daquele menino, o Juscelino? Você não sabe? Foi nomeado prefeito da capital.” O outro gostou: “Que bom! E o menino Odilon (Behrens)?” O papo seguiu: “Esse virou médico e agora é dono de hospital.” O interlocutor sabia, claro: “Sei, sei. E aquele baixinho, com nome de turco?” perguntou o fazendeiro, referindo-se ao terceiro dos amigos de infância de Diamantina. “O Alkmin?” – informou o prefeito – “está na penitenciária de Neves.” O fazendeiro não pareceu surpreso: “Eu bem que sabia. Nunca gostei do jeito dele...” Jardim deu uma gargalhada. José Maria Alkmin era diretor da penitenciária.

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