Poder sem Pudor




Poder sem Pudor

Elegante pregador

Elegante pregador

Durante a Constituinte, há quatro décadas, o senador Afonso Arinos (PSDB-RJ) não relaxava na sua pregação parlamentarista. Certa vez, em conversa com repórteres que cobriam o Congresso, ele começou a discorrer sobre as crises do presidencialismo, ao longo da História. Os jovens jornalistas não pareciam muito interessados. Afonso Arinos captou a mensagem: “Meus filhos, isto para vocês é História, mas, entendam: para mim, é memória...”

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Socorro, Severino

Socorro, Severino

Certa vez, as mulheres promoveram na Câmara um ato de solidariedade à deputada Luci Choinacki (PT-SC), que, em sessão da CPMI da Terra, teria sido agredida de forma “machista” pelo deputado Alberto Fraga (DF). Vestindo rosa e lilás, elas entraram no plenário para pedir providências ao presidente Severino Cavalcanti. Vendo a deputada Maria do Rosário (PT-RS), o deputado Zarattini (PT-SP) tentou ser gentil e cometeu uma gafe: “Quero ceder meu espaço à nobre companheira Maria do Socorro.” Ela retrucou, na bucha: “Socorro é o que nós viemos pedir aqui, deputado”.

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Mala sequestrada

Mala sequestrada

Em visita ao interior de Minas, o governador Milton Campos iria pernoitar em Bocaiúva, e os líderes políticos locais começaram a brigar para hospedá-lo – sinal definitivo de prestígio. Campos era da UDN, por isso o normal seria abrigar-se em casa de um udenista, mas ninguém contava com a esperteza do deputado José Maria Alkimin (PSD), amigo do governador: “Você não dorme mais de pijamas? Não gosta de roupa limpa pela manhã?” Campos estranhou: “É claro que eu gosto, por que essas perguntas?” Alkimin avisou: “Porque sua mala já está lá em casa...”

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Babá rock and roll

Babá rock and roll

Na primeira sessão da legislatura do Congresso, na ocasião, o deputado cabeludo Babá (Psol-PA) foi à mesa pedir para falar. Esbarrou em ACM presidindo: “Qual é o seu nome?”, perguntou Toninho Malvadeza. “Babá.” Desconfiado, o babalaô confirmou o nome junto ao secretário da mesa. Depois se voltou ao parlamentar do Pará com a voz carregada de ironia: “Está certo, seu Babááá...”

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Um hábil auxiliar

Um hábil auxiliar

José Sarney guarda com carinho uma carta que recebeu de Jânio Quadros em 1989, quando era presidente da República. Na carta, o ex-presidente o cumprimentava pela nomeação de um antigo auxiliar seu, Augusto Marzagão. A carta definia Marzagão: “Ele foi dos mais hábeis auxiliares que já tive. É tal a sua habilidade que não tenho a menor dúvida de que, se um dia ele encontrar a morte, vai olhá-la da cabeça aos pés e dizer: ‘Nunca imaginei que a senhora fosse tão magrinha e elegante’.” Grande Marzagão.

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Só rezando

Questão de fé

Nomeado ministro da Fazenda de Itamar Franco, o pernambucano Gustavo Krause encontrou Miguel Arraes (PSB-PE) no dia da posse, no Palácio do Planalto: “Vamos precisar de todo o apoio do partido..”, cochichou Krause. Arraes puxou uma baforada do seu cachimbo, olhou fixamente para o ex-prefeito do Recife, PFL (hoje DEM) histórico, e devolveu, com os olhos apertados: “Gustavo, o que posso fazer é rezar por você...”

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Deputados noveleiros

Questão de fé

O deputado Átila Lira (PSDB-PI) relatava o projeto que instituía 2005 como “Ano Nacional Roberto Marinho” e resolveu buscar amparo nos colegas, durante uma reunião da Comissão de Educação da Câmara: - As novelas da Globo são importantes para o País. Eu conversava com a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), uma noveleira. Ela concorda comigo. - Quero dizer três coisas – respondeu a deputada, arrancando gargalhadas – a primeira é que não sou noveleira, a segunda é que quase não assisto televisão e a terceira é que o senhor nunca falou comigo sobre esse assunto. Mesmo assim, voto favoravelmente ao seu relatório.

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