Poder sem Pudor




Poder sem Pudor

Milagre da multiplicação

Milagre da multiplicação

Ao participar certa vez de um painel na Conferência dos Advogados, em Florianópolis, o jurista Ives Gandra Martins arrancou risos ao fazer uma analogia entre o aumento da carga tributária brasileira e a passagem bíblica em que Pedro informa a Cristo que os romanos estão cobrando impostos dos nativos de Israel. Cristo manda Pedro pegar um peixe e pagar o imposto. “Qual a lição com esse fato? Primeiro, que a carga tributária em Israel já era injusta, sendo incomensuravelmente menor que no Brasil; e segundo que, para pagar os tributos, Cristo foi obrigado a fazer milagres...”

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Doutor sem diploma

Doutor sem diploma

No final dos anos 1950, Magalhães Pinto (UDN) e Tancredo Neves (PSD) tentavam viabilizar suas candidaturas ao governo de Minas Gerais. Certa vez, Magalhães ironizou o adversário: “Tancredo? Francamente, não sei se daria um bom governador. Dizem até que é bom advogado. Mas nunca soube de uma causa que ele ganhou...” Informado da provocação, Tancredo devolveu: “Engraçado, dizem também ser o Magalhães um grande advogado. Mas nunca encontrei um colega de turma dele...” E Magalhães ganhou, então, a alcunha de “Doutor sem diploma”.

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Suplicy e a corda

Suplicy e a corda

Há alguns anos, o ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi conhecer o Círio de Nazaré, em Belém (PA). Com pose de atleta, ele se meteu a puxar a corda, ao lado de milhares de fiéis, e se deu mal, muito mal. O ex-deputado Babá (Psol-PA) relatou com graça a cena a que assistiu: “Suplicy foi ejetado em quinze minutos. A força na corda é descomunal. Não por acaso, quando soube que a colega Heloísa Helena iria ao Círio, Suplicy advertiu: ‘Cuidado com a corda’...”

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Ateu, graças a Deus

Ateu, graças a Deus

Quando se vê no aperto, o deputado Aldo Rebelo, que era do PCdoB-SP e materialista convicto, recorria a Deus. Foi assim quando rezou a bordo de um jatinho em pane em pleno vôo, com o senador Renan Calheiros e o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) como testemunhas. Certa vez, quando Inocêncio Oliveira (PL-PE) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) ameaçavam trocar sopapos, ouviu-se a voz conciliadora do presidente da Câmara, ao microfone: “Pelo amor de Deus, senhores, parem com isso!...”

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Bananas para os céus

Bananas para os céus

Em campanha para presidente, no ano de 1950, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) mandou avisar que sobrevoaria Maceió em voo rasante, a bordo do DC-3 que utilizada em suas viagens. Silvestre Péricles (PSD), governador populista-maluco de Alagoas, saiu à sacada do Palácio dos Martírios e iniciou uma série de bananas para o alto, em “saudação” ao adversário. A certa altura, avisado por um assessor que sua mãe o chamava, ele passou a tarefa ao funcionário: “Meu filho, fique aqui dando bananas enquanto vou ver o que ela quer.” Assim foi feito.

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Movimento subversivo

Movimento subversivo

Secretário do Interior de Minas Gerais nos anos 1970, Ovídeo de Abreu adorava usar palavras difíceis. Certa vez, às vésperas de um pequeno tremor de terra em Bom Sucesso, ele telegrafou ao prefeito: “Movimento sísmico previsto essa região. Provável epicentro movimento telúrico sua cidade. Obséquio tomar as providências cabíveis”. A resposta do prefeito chegaria quatro dias depois, também por telegrama: “Movimento sísmico debelado. Epicentro preso, incomunicável, cadeia local. Desculpe demora. Houve terremoto na cidade”.

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Uma raposa em ação

Uma raposa em ação

Governador de Minas Gerais e já em campanha para presidente, Tancredo Neves fez um gesto de cortesia ao governo João Figueiredo, ao qual fazia oposição: incluiu a ministra da Educação, Esther de Figueiredo Ferraz, entre os agraciados pela medalha da Inconfidência. No dia da solenidade, a ministra estranhou a homenagem: “Não tenho qualquer das qualidades exigidas para merecer isso...” Em seu discurso, Tancredo justificou a reputação de raposa política: “A ministra está, realmente, fora do regime da medalha: ela tem muito mais virtudes que as exigidas...”

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Conspiração

Conspiração

O senador pernambucano José Jorge (PFL, atual DEM) usava a palavra, na CPI dos Bingos, mas parecia querer a atenção do relator da comissão, senador Garibaldi Aves (PMDB-RN), que conversava com o colega e conterrâneo Agripino Maia (PFL). José Jorge não perdeu a piada simpática: “Devem estar conspirando contra o Fernando Bezerra (na época, senador filiado ao PTB), para ver quem será o governador...”

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