Ai, que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, daquela seleção canarinha que outrora voava tão alto que a gente nem via. Só os anjos e outros seres celestiais.
Hoje o que se vê são penteadas e tatuagens criativas e estilosas. Dentes demais na boca. Carrões, jatinhos e contratos milionários e o permanente assédio das Marias Chuteiras. Este é o retrato do futebol brasileiro de hoje.
Ainda bem que o Íbis Futebol Clube não disputará o Mundial de Clubes.
Arre!!!
Saudades até de um certo Feola, técnico obeso e dorminhoco, que, como todo bom gordo, deixava os craques à vontade, tratando no gramado a Leonor, como se dela fossem sempre o senhor maior, como deveras o eram, com carinho e amor.
No clamor do gol, diz-se que acordava alvoroçado de um bom cochilo, e perguntava:
– “Foi do Pelé?”
E voltava a fechar os olhos.
Hoje e doravante haverá de reinar um Carleto, atento, charmoso e elegante, mascador de chicletes, gesticulando para um bando de ídolos de pés de barro, metidos em reluzentes uniformes de griffe, a tropeçar meio desajeitados no esférico perfeito e fabricado por meninos pobres das periferias desse mundão de Deus.
Enquanto isso, nossos corações de eternos amantes do jogo da bola hão de bater, frenéticos, na esperança permanente da conquista do cobiçado caneco.
Tantos e tantos milhões em ação, pra frente Brasil.