Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2025, por “explicarem o crescimento econômico impulsionado pela inovação”. Mokyr, mais especificamente, demonstrou que a cultura, as crenças e os valores da sociedade são, e permanecerão, fatores decisivos nas transformações sociais.
Um ano antes, em 2024, o Nobel de Economia foi concedido a Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson, que também abordaram o crescimento econômico. O trabalho deles defendeu que instituições inclusivas, que garantam direitos de propriedade e universalização de oportunidades (aí incluindo educação e oferta de crédito), são cruciais para o crescimento econômico de longo prazo (enquanto instituições extrativistas, levam a baixos níveis de desenvolvimento).
O fato é que, nos últimos 2 anos, o Nobel honrou “o crescimento econômico e a prosperidade”. As obras dos laureados costuraram questões fulcrais e complementares, como instituições inclusivas, capital humano, oferta de crédito e inovação. Tudo isso sob a batuta de um caldeirão cultural, tracionado por princípios de moralidade, ética e confiança.
Precisamos colocar uma lupa no cenário intensivo em geopolítica, que vivenciamos (onde a principal diferença, frente a outros momentos da história, reside no deslocamento das tecnologias de IA para o epicentro da contenda entre as nações).
A relevância da China, no campo da IA, continua se ampliando. De acordo com o Artificial Intelligence Index Report 2025, da Universidade de Stanford, o país responde por impressionantes 69,7% das patentes de IA concedidas globalmente. Nos Estados Unidos, por outro lado, as patentes e publicações acadêmicas, ligadas à IA, continuam muito citadas internacionalmente (indicando uma forte influência qualitativa).
Não por acaso, conforme o Global Vibrancy Tool 2024, também da Universidade de Stanford, Estados Unidos, China, Índia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos encabeçam o ranking da IA, no que tange a capital humano, inovação, quantidade de patentes, disponibilidade de infraestrutura, aporte de investimentos, crédito, geração de excedentes de energia, proliferação de start ups, fusões e aquisições.
O mesmo estudo de Stanford, que avaliou 36 países, apontou o Brasil na posição 34. Já o Índice Global de Inovação (IGI) de 2025, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), nos colocou na posição 52 no cenário da inovação global (uma queda de duas posições em relação ao ano anterior, onde perdemos a liderança da América Latina para o Chile).
Mudar o jogo é possível. Temos janelas de oportunidade e de excelência em setores estratégicos como o agro, o petróleo, a indústria aeronáutica e a indústria farmacêutica. Podemos até reverter o nosso fraco apetite ao risco, e seguir o conselho do Nobel Philippe Aghion, que afirmou ser “preciso premiar o risco, e não a inércia”.
O que me causa arrepios, são os ditames de moralidade, de ética e de confiança que, conforme os laureados pelo Nobel dos últimos 2 anos, assumiram uma posição de alavanca para a tão almejada prosperidade. Aqui o jogo será bruto. Reverter a chamada Lei de Gerson e absorver a moralidade, como uma bandeira da cultura nacional, será uma tarefa árdua. Vamos em frente.