A declaração de suficiência

A verdadeira independência não começa no assistencialismo, mas na capacidade de escolha.

O termo “hipossuficiência” deriva da junção do prefixo grego hypo (abaixo, escasso ou pouco) com a palavra do latim sufficientia (suficiência ou capacidade de bastar). No direito, refere-se ao reconhecimento da existência de verdadeira desigualdade entre as partes no processo. No Brasil, descreve como o Estado trata o cidadão.

O Estado impõe essa condição, limita e aprisiona a sociedade, criando uma dependência de políticas populistas, que não libertam, mas sim, sequestram a liberdade e a ascensão socioeconômica. Como diria Milton Friedman, Nobel de Economia e expoente da Escola de Chicago: “Quanto maior o poder do Estado, menor o indivíduo.”

Nesse contexto, o cidadão passa a ser tratado como hipossuficiente pois o Estado assim o considera. O indivíduo se vê refém de um sistema que decide por ele, fala por ele e administra suas necessidades, o afastando da verdadeira emancipação social.

A proteção estatal, quando excede os limites da assistência e invade o campo da autodeterminação, deixa de promover dignidade para consolidar controle. O cidadão passa a existir sob tutela permanente, submetido a políticas que, ao invés de libertar, perpetuam a vulnerabilidade como instrumento de opressão. A hipossuficiência transforma-se em identidade imposta, conveniente à manutenção de estruturas de poder em Brasília.

O Estado se sobrepõe ao cidadão. Obriga o voto, retirando do indivíduo uma importante liberdade de escolha, e confisca a prosperidade por meio de uma dívida pública crescente e insustentável. Segundo o relatório Monitor Fiscal do Fundo Monetário Internacional, a dívida bruta brasileira deve alcançar 100% do PIB em 2027, evidenciando o peso cada vez maior do Estado sobre a economia e sobre a capacidade de desenvolvimento da sociedade.

Nas gôndolas dos supermercados, nos postos de gasolina e no crescente número de inadimplentes, que já ultrapassa 82 milhões de brasileiros, algo não vai bem. O preço, que é a comunicação da economia, não fala: ele grita. Um grito alto, constante e sufocante, que ecoa sobre uma sociedade fatigada.

A verdadeira independência não começa no assistencialismo, mas na capacidade de escolha. Escolha de pensar, de produzir, de prosperar e, sobretudo, de decidir os próprios caminhos. Quando falta consciência, sobra submissão.

Cabe uma reflexão sobre a palavra “hipossuficiência”. O prefixo “hipo”, que remete à escassez e à insuficiência, não deve ser a ideia que o Estado impõe como destino de uma nação. Em um ano eleitoral, existe a oportunidade de retirar esse prefixo, não apenas na palavra, mas na noção distorcida que o Estado atribui a milhões de brasileiros.

Somos suficientes, perante o Estado, perante a sociedade e perante a própria vida.

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