E ainda estamos aqui.
Hoje cumpro 54 anos de chegada ao meu primeiro posto no exterior.
O primeiro a gente nunca esquece, diz-se.
Eu era Oficial de Chancelaria e Tereza e eu estavamos ainda em lua-de-mel, casados em 2 de abril.
Chegamos em Oslo no final da tarde de um sábado ensolarado e não fazia muito frio, coisa não muito comum naquelas terras. O Boeing da Scandinavian Airlines System (SAS) aterrissou suavemente e taxiou até próximo do terminal do Aeroporto de Fornebu. Turbinas cortadas, o Comandante fez os habituais saudações de chegada, tipo:
– Takk for at du flyr med SAS, så sees vi neste gang. (Obrigado por voar com a SAS e até a prixima vez).
As belas aeromoças louras (claro) começaram a ajudar os passageiros a se prepararem para o desembarque.
Tomei a mão da Tereza e a apertei, querendo transmitir confiança. Claro que eu mesmo precisava da mão dela para me dar força.
Pensei comigo: Então é nesta terra que eu e ela iríamos viver nos próximos anos?
Umas gotas de lágrimas escorreram. Nos olhos da minha linda mulher. E nós meus, por que não?
Descemos a escada, pois naquele tempo não havia os atuais “fingers “. Arzinho frio, um cheiro diferente. Toda cidade tem seus próprios aromas, inconfundíveis, aprendi cedo, desde que vim morar no Rio.
A camionete Volvo, com o sempre atento Bonifácio Valdez no volante nos esperavam no Aeroporto. No caminho até a cidade, olhos atentos. Curiosidade e espanto. Emoção.
Isso foi há 54 anos, mas tenho viva memória desse dia.
– [ ] Fomos felizes. Lá nasceu André, nosso primogênito uma peça preciosa a mais no nosso tesouro. Curtimos muito o país Trabalhei bem, como sempre. Aprendi muito com amigos já diplomatas. Nunca aprendi a trabalhar mal. Ganhei a fconfiança do Embaixador. Adotou-me como um filho postiço. O inesquecível Jayme de Souza Gomes. Tanto fez que acabou me convencendo a fazer o concurso para a Carreira. Em condições insólitas e adversas – eu lá e o concurso aqui. Conseguiu minha vinda ao Brasil. Afinal fiz o concurso. Fui aprovado.
E ainda estamos aqui.