Mais de 31 anos depois, Justiça condena cúmplice do assassinato de jornalista, na Bahia

Marcel Leal foi assassinado com seis tiros nas costas em janeiro de 1988

A Justiça condenou na Bahia Marcone Sarmento por sua participação no assassinato do jornalista Manoel Leal, em 14 de janeiro de 1998. O condenado dirigia o carro usado no crime. Apesar de outro condenado, Monzar Brasil, ter tido pena de 18 anos e a lei considerar iguais todos que participam, Sarmento foi condenado a apenas 6 anos de reclusão. O jornalista Manoel Leal foi assassinado com 6 tiros pelas costas, de emboscada, quando chegava em casa.

A juíza Gelzi de Almeida diminuiu a pena em dois anos considerando que Marcone Sarmento já tinha passado este tempo na cadeia. Mas ignorou o fato de que esta prisão foi por outro crime, não relacionado com o homicídio de Leal. Com isso, ele cumprirá apenas quatro anos e em regime aberto.

Apesar da vitória, importante, o Ministério Público vai recorrer da decisão e pedir uma pena maior. Segundo o promotor Cássio Marcelo, “o júri desta vez condenou o réu Marcone Sarmento pelo homicídio do jornalista Manoel Leal. Foi ele quem estava dirigindo a caminhonete”.

O MP pediu que fosse incluída na decisão a qualificadora de emboscada, o que aumentaria a pena, mas o pedido não foi atendido pela juíza. “Se ele estava lá a tarde toda e na hora dirigia o carro, por que não seria? O júri é soberano, temos que conviver. Mas nós discordamos”.

Para Cássio Marcelo, em entrevista ao Bahia Notícias, “a pena foi baixa. Temos esperança e já recorremos para que a Justiça aumente para 10 ou 12, mas 6 é pouco. O Mozart Brasil pegou 18”. O policial Brasil foi condenado por ser o autor dos disparos que mataram o jornalista.

Apesar de ser assalariado de baixa renda, Marcone foi defendido por quatro advogados, liderados por Carlos Burgos. São os mesmos que costumam defender o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, que era denunciado por Leal logo antes do crime, nos processos a que responde.

Para Marcel Leal, filho da vítima, a sentença é bem recebida por ser de condenação, porém “é um incentivo ao assassinato de outros jornalistas, já que acena com uma pena ridícula de apenas 6 anos em regime aberto. É o recado de que no Brasil matar jornalista não dá nem cadeia para o assassino.”

Além disso, lembra Marcel, “falta investigar os mandantes, que são óbvios mas sequer foram incomodados pelo delegado Jaques Valois, que manipulou o inquérito e tentou enterrar o caso. A investigação dos mandantes é, inclusive, um pedido da Organização dos Estados Americanos ao Brasil. Até hoje, não foi cumprida”.

O jornalista Manoel Leal denunciou o prefeito Fernando Gomes e o delegado especial de Salvador Gilson Prata, com fartos documentos, em dezembro, dias antes de ser assassinado.