Trump ameaça controlar petróleo do Irã, como na Venezuela

No dia da abertura da Copa, Trump fala em tomar Kharg e controlar petróleo iraniano "como fizemos na Venezuela"

Às 9h22 da manhã desta quinta-feira (11), dia da abertura da Copa do Mundo, pelo horário de Brasília, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma mensagem na rede Truth Social que elevou ainda mais a tensão no Oriente Médio. No texto, Trump afirmou que os Estados Unidos atacarão o Irã “com muita força” ainda nesta noite e declarou que pretende assumir o controle da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.

A publicação chamou atenção não apenas pela ameaça militar, mas principalmente por uma comparação inédita. Ao descrever seus planos para o Irã, Trump afirmou que os Estados Unidos poderão assumir o controle dos mercados de petróleo e gás iranianos “assim como fizemos com a Venezuela”.

A referência à Venezuela transformou uma declaração de caráter militar em algo ainda mais amplo. Trump não se limitou a falar em ataques ou sanções. Ele mencionou explicitamente a intenção de controlar ativos estratégicos ligados à produção e exportação de energia, utilizando como exemplo a política adotada por Washington em relação ao país sul-americano.

Na mensagem, Trump escreveu que a Marinha, a Força Aérea, os sistemas de radar, as defesas antiaéreas e boa parte da capacidade ofensiva do Irã teriam sido destruídos. Em seguida, afirmou que, em um futuro não muito distante, os Estados Unidos tomarão a Ilha de Kharg e outros pontos da infraestrutura petrolífera iraniana.

A escolha de Kharg não é casual. A ilha é considerada o coração da economia energética do Irã. A maior parte do petróleo exportado pelo país passa por suas instalações antes de seguir para os mercados internacionais. Qualquer interrupção em suas operações teria impacto direto sobre as receitas do governo iraniano e sobre o mercado global de energia.

A declaração também chamou atenção por não citar apenas objetivos militares. Ao falar em assumir o controle dos mercados de petróleo e gás do Irã, Trump sinaliza uma estratégia que combina pressão militar, econômica e geopolítica sobre um dos principais produtores de energia do Oriente Médio.

Especialistas observam que o eventual controle ou bloqueio de Kharg teria consequências que ultrapassariam as fronteiras iranianas. O Golfo Pérsico concentra algumas das rotas energéticas mais importantes do planeta, e qualquer escalada militar na região pode provocar reflexos imediatos nos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.

Embora o governo iraniano ainda não tivesse respondido oficialmente à publicação, a mensagem de Trump foi recebida como um dos pronunciamentos mais agressivos desde o início da atual escalada entre Washington e Teerã. Mais do que anunciar um ataque para esta noite, o presidente americano apresentou uma visão de longo prazo para o conflito, citando como modelo a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e indicando que pretende ampliar sua influência sobre a infraestrutura energética iraniana.

No dia em que bilhões de pessoas voltam sua atenção para a abertura da Copa do Mundo, a mensagem da Casa Branca serviu como um lembrete de que as disputas geopolíticas continuam influenciando os rumos da economia global e da segurança internacional.

Se as palavras se transformarão em ações concretas ainda é uma incógnita. Mas a mensagem publicada nesta manhã já produziu seu primeiro efeito: aumentar a preocupação internacional sobre os próximos passos de uma crise que pode afetar não apenas o Oriente Médio, mas toda a economia mundial.

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