Irã rejeita cessar-fogo temporário e trava proposta de paz com os EUA
Plano previa trégua de 45 dias mais prazo e acordo definitivo, mas impasse sobre reabertura do Estreito de Ormuz e ameaças elevam tensão

Uma proposta de acordo de paz entre Irã e Estados Unidos, apresentada por meio de mediadores internacionais, enfrenta resistência e mantém o impasse no conflito no Oriente Médio. Segundo a agência Reuters, o plano prevê um cessar-fogo imediato de 45 dias, além de um prazo de 15 a 20 dias para que as duas partes firmem um acordo permanente que encerraria a guerra.
Apesar da proposta, o governo iraniano já indicou que não aceita os termos. Autoridades em Teerã afirmaram que não irão reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um “cessar-fogo temporário”. A região é estratégica para o comércio global, sendo responsável por cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo.
Do lado americano, o governo também não demonstra disposição imediata para um acordo definitivo. De acordo com o portal Axios, os Estados Unidos ainda não estão prontos para um cessar-fogo permanente. Um representante da Casa Branca afirmou que o presidente Donald Trump não aprovou a proposta, classificando-a como “uma das muitas ideias” em discussão. O eventual acordo definitivo incluiria o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares, em troca do alívio de sanções econômicas e da liberação de ativos financeiros congelados.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que as propostas são “extremamente ambiciosas, incomuns e ilógicas”. Segundo ele, negociações diplomáticas são incompatíveis com ultimatos e ameaças. A tensão aumentou após declarações de Trump, que ameaçou bombardear a infraestrutura iraniana caso o país não reabra o Estreito de Ormuz. A fala gerou forte reação em Irã, sendo classificada por autoridades como possível violação do direito internacional.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, denunciou “crimes de guerra”, enquanto o comando militar iraniano advertiu que, caso ataques a civis continuem, as próximas respostas serão “mais devastadoras”. A Guarda Revolucionária também elevou o tom, afirmando que prepara uma “nova ordem” no Golfo e que o Estreito de Ormuz não voltará às condições anteriores, especialmente para os EUA e Israel.