Governo Lula articula missão para levar empresas brasileiras de volta à Venezuela
Com o apoio do Planalto, comitiva com JBS, Embraer e montadoras tenta reatar laços econômicos com o regime venezuelano

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da embaixada brasileira em Caracas e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), organizou uma missão empresarial à Venezuela.
O objetivo da iniciativa é reconstruir os laços econômicos com o país vizinho, cuja relação comercial havia recuado nos últimos anos devido à severa crise econômica venezuelana e às sanções internacionais que pesam sobre o regime local.
Uma delegação composta por executivos e representantes de grandes entidades empresariais participou de reuniões estratégicas na capital venezuelana.
Ao todo, cerca de 30 companhias do Brasil foram convidadas para os encontros com integrantes do governo e do setor privado da Venezuela, em uma agenda que sinaliza o esforço da atual gestão federal em restabelecer o fluxo de capital para a região.
Entre as gigantes do mercado nacional que integraram os convites para as rodadas de negociação estão marcas expressivas como a JBS, a Embraer, a Eurofarma e a PetroReconcavo.
O setor automobilístico também marcou presença na lista de interesse, com o envolvimento de montadoras de grande porte como Toyota, General Motors e Scania.
O movimento em direção a Caracas é apoiado por importantes entidades representativas da indústria e do agronegócio nacional.
Participaram da comitiva a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), além da Abimaq e do Sindipeças.
De acordo com os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o intercâmbio comercial entre as duas nações movimentou aproximadamente US$837 milhões em 2025.
O montante representa um avanço em comparação ao período mais agudo do colapso econômico da Venezuela, mas ainda expõe a retração do mercado na comparação histórica recente.
O patamar atual do comércio bilateral permanece distante do ápice registrado em 2008, durante o segundo mandato de Lula e a gestão de Hugo Chávez, quando as trocas comerciais chegaram a atingir US$5,1 bilhões.
A nova investida diplomática e comercial do governo brasileiro ocorre em paralelo a movimentos semelhantes de outros países da região, a exemplo da Colômbia, que também buscam reaver espaços e investimentos em território venezuelano.