Ex-premiê da Dinamarca diz que era de ‘bajular’ Trump chegou ao fim

Rasmussen critica estratégia europeia e reação ocorre após Trump reforçar posição firme dos EUA sobre a Groenlândia e a Otan

O ex-primeiro-ministro da Dinamarca e ex-secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou nesta terça-feira no Fórum Econômico Mundial em Davos que o “tempo de bajular o presidente Donald Trump acabou” em relação às políticas e demandas do líder norte-americano no cenário internacional. 

A declaração ocorre em meio à escalada de tensão diplomática em torno da Groenlândia, território semi autônomo da Dinamarca que Trump busca integrar aos Estados Unidos. 

Rasmussen, que liderou a Dinamarca entre 2001 e 2009 e em seguida chefiou a Otan de 2009 a 2014, disse que não basta repetir elogios ao presidente americano diante de pressões externas.

“Acabou a época dos elogios. Não funciona”, declarou, indicando que Trump “só respeita força e firmeza”, argumento que ele tentou usar para justificar que líderes europeus reconsiderem suas posições diante das demandas americanas.

O ex-líder dinamarquês classificou a insistência de Trump de que os Estados Unidos assumam a Groenlândia como o maior desafio à Otan desde a criação da aliança em 1949, ressaltando que o futuro da organização e da segurança transatlântica estaria em jogo. 

Trump, por sua vez, tem defendido publicamente que a posse da ilha é vital para a segurança nacional dos EUA, citando sua localização estratégica no Ártico e a importância do território para interesses militares e econômicos americanos. 

A tensão diplomática se intensificou quando o governo Trump sugeriu a imposição de tarifas sobre aliados europeus (incluindo países que enviaram tropas à Groenlândia) caso não haja acordo que permita aos EUA negociar oficialmente a compra ou integração da ilha ao território americano. 

Rasmussen sugeriu que a Europa deve reagir economicamente com firmeza a essas ameaças, destacando que a era da bajulação simplesmente não produziria resultados.

Trump já declarou em conversas oficiais (incluindo uma troca de mensagens com o primeiro-ministro da Noruega) que acredita ter feito mais pela Otan do que qualquer outro presidente desde a fundação da aliança, e defendeu que aliados “deveriam fazer algo pelos Estados Unidos” em retorno pelas contribuições militares conjuntas. 

A declaração de Rasmussen provocou reações diversas nos corredores diplomáticos europeus, mas também destaca a posição firme de Washington no debate, onde Trump continua posicionando os interesses americanos em primeiro plano e pedindo respeito às prioridades estratégicas dos EUA. 

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