Direita vence mais uma: Keiko é a nova presidente do Peru

Rival de esquerda, Sánchez não reconhece derrota no 2º turno

Com 99.859% das urnas apuradas, a conservadora de direita Keiko Fujimori está matematicamente eleita presidente do Peru, por ter atingido uma liderança irreversível no 2º turno das eleições presidenciais, registrando 50,118% dos votos, segundo dados oficiais da apuração atualizados às 10h da manhã desta quarta-feira (24). O país aguarda a proclamação oficial do resultado.

No universo de mais de 18 milhões de peruanos que foram às urnas há 17 dias, a vantagem de Keiko é de apenas 43.386 votos à frente do esquerdista Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Peru. E, após uma tentativa frustrada de invalidar a apuração de votos vindos de 119 consulados peruanos no exterior, Sánchez antecipou que não reconhecerá o governo da presidente eleita.

Keiko aguarda a oficialização do resultado para ser a 9ª presidente do Peru, em uma década de crise política marcada por renúncias e destituições presidenciais, e até prisão dos presidentes Ollanta Humala e Pedro Castillo.

Na segunda-feira (22), Keiko alertou que cada dia de atraso na proclamação do resultado oficial da eleição é um dia que se perde no processo de transição, que adia anúncios importantes para conter problemas que seguem se agravando para os peruanos. Ela cobrou que sejam respeitados os resultados eleitorais, ao tratar como ato de desespero a tentativa de anular votos do exterior sem apresentação de provas de irregularidades.

No dia em que decidiu rejeitar o pedido de nulidade de votos do exterior apresentado por Sánchez, a Junta Nacional Eleitoral (JNE) antecipou ontem que “entregará as credenciais à fórmula presidencial vencedora, conforme estabelecido pela Constituição Política do Peru, pela Lei Orgânica de Eleições e pela Lei Orgânica do JNE”. A Junta Eleitoral de Lima ressaltou que o pedido de nulidade da candidatura de Sánchez foi apresentado 12 dias após a data limite para a apresentação deste tipo de recurso, o que tornou a demanda extemporânea e sem sucesso.

Voto a voto

Após as eleições do 2º turno no dia 7 deste mês de junho, Keiko iniciou a contagem de votos na liderança. Mas perdeu a sensível vantagem no 2º dia, com o avanço da apuração na zona rural peruana, que mantém forte apoio a Sánchez. A líder de direita reassumiu a liderança no 4º dia de apuração, no momento em que avançou a contagem dos votos de eleitores que vivem no exterior.

Líder do partido Força Popular, Keiko é filha do ex-ditador do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) e polariza o embate entre eleitores contrários e favoráveis ao legado de seu pai, que chegou a ser condenado por violar direitos humanos, a exemplo da esterilização forçada de mulheres indígenas, e renunciou em 2000, acusado de corrupção.

Keiko já disputou eleição presidencial outras três vezes. Na última, em 2021, foi derrotada por Pedro Castillo, que é aliado de Sánchez e foi condenado a mais de 11 anos de prisão, no ano passado, por crimes em tentativa de golpe com destituição do Congresso, quando presidia o Peru, em 2022.

Década de crise

Desde o fim do governo de Ollanta Humala, em 2016, nenhum outro presidente concluiu seus mandatos. E o ex-presidente está preso em Lima, por se envolver em corrupção com a empreiteira Odebrecht. E, em 2025, foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Nestes  dez anos, duas renúncias e seis destituições presidenciais ocorreram no contexto de ascensão e domínio político do Poder Legislativo do Peru.

Após Ollanta, os seguintes presidentes governaram o Peru:

  • Pedro Pablo Kuczynski – entre julho de 2016 e março de 2018, quando renunciou;
  • Martín Vizcarra – entre março de 2018 e novembro de 2020, quando foi destituído;
  • Manuel Merino – governou por cinco dias em novembro de 2020, e renunciou;
  • Francisco Sagasti – fez um governo de transição entre novembro de 2020 e julho de 2021;
  • Pedro Castillo – entre julho de 2021 e dezembro de 2022, quando sofreu impeachment e foi preso por tentar golpe;
  • Dina Boluarte – entre dezembro de 2022 e outubro de 2025, quando foi destituída acusada de corrupção e repressão violenta a protestos;
  • José Jerí Oré – entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, quando foi destituído acusado de má conduta funcional e falta de idoneidade.
  • José María Balcázar Zelada – desde fevereiro de 2026 é o atual presidente interino do Peru.
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