Congresso da Colômbia avança contra Petro e propõe suspensão do mandato
Comissão parlamentar apresenta medida que pode afastar o presidente em meio à disputa eleitoral e amplia crise política no país

Uma nova controvérsia política sacudiu a Colômbia nesta semana após a presidente da Comissão de Investigação e Acusação da Câmara dos Representantes, Gloria Arizabaleta, apresentar uma proposta para suspender temporariamente o mandato do presidente Gustavo Petro.
A medida foi motivada por acusações de que o chefe de Estado teria atuado politicamente em favor de um candidato durante o processo eleitoral colombiano.
Segundo o documento apresentado pela comissão, Petro é investigado por suposta participação indevida na campanha presidencial, conduta que a legislação colombiana restringe para ocupantes de cargos públicos.
A acusação sustenta que manifestações públicas e publicações feitas pelo presidente poderiam configurar interferência no processo eleitoral em andamento.
A proposta prevê o afastamento temporário do presidente até o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 21 de junho.
No entanto, a medida ainda não produz efeitos automáticos.
Para entrar em vigor, precisa passar por outras etapas dentro das instituições colombianas, incluindo análise da própria comissão e posterior apreciação pelo Senado.
O caso ganhou repercussão nacional por ocorrer a poucos dias da votação que definirá o sucessor de Petro.
A legislação colombiana impede a reeleição presidencial consecutiva, o que faz com que o atual mandatário apoie um candidato alinhado ao seu campo político na disputa pelo comando do país.
A iniciativa também ampliou a pressão sobre o governo em um momento de forte polarização política.
Parlamentares e integrantes da oposição acusam Petro de ultrapassar os limites institucionais ao se posicionar de forma ativa durante a campanha.
Já aliados do presidente contestam a legalidade da proposta e argumentam que apenas o Senado teria competência para determinar eventual suspensão do chefe do Executivo.
Mesmo diante da repercussão, Petro permanece no exercício do cargo.
Até o momento, não houve deliberação definitiva que altere sua condição de presidente da República, e o processo segue em tramitação nos órgãos competentes do Congresso colombiano.
A movimentação ocorre em um cenário de elevada tensão política no país, com a campanha presidencial dominando o debate público e aumentando o embate entre governo e oposição sobre o papel do presidente durante o período eleitoral.