Aliado de María Corina, Guanipa vai a prisão domiciliar na Venezuela
Opositor foi solto, voltou a ser detido horas depois e agora cumprirá a pena de prisão em casa, na Venezuela

O político venezuelano Juan Pablo Guanipa, uma das lideranças destacadas da oposição e aliado próximo da líder opositora e Nobel da Paz María Corina Machado, foi transferido nesta terça-feira (10) para prisão domiciliar na cidade de Maracaibo, no estado de Zulia, informou seu filho, Ramón Guanipa.
Guanipa havia sido libertado no domingo (8) após mais de oito meses detido pelo regime venezuelano sob acusações de conspiração e suposta participação em um grupo considerado terrorista pelas autoridades.
Poucas horas depois de sua soltura, ele foi novamente detido por homens armados em Caracas, um episódio que a família e aliados caracterizaram como um sequestro político.
Segundo comunicado do Ministério Público venezuelano, a prisão domiciliar foi decretada após alegada violação das condições de sua libertação provisória, embora detalhes dessas condições não tenham sido divulgados.
Guanipa passou a cumprir as medidas em sua residência, mas sua família mantém que a situação continua sendo uma forma de prisão.
O filho do político publicou nas redes sociais que, apesar da medida domiciliar, a família se sente “aliviada por estar junta em breve”, mas continuou a pedir “a plena liberdade de Juan Pablo e de todos os presos políticos” na Venezuela.
Ele também agradeceu, em nome da família, o apoio do governo dos Estados Unidos no processo de libertação de detentos políticos no país vizinho.
Durante o breve período em que esteve livre, no domingo, Guanipa participou de atos com familiares de presos políticos e liderou uma caravana em Caracas, onde exigiu a convocação de novas eleições e a continuidade dos esforços para restaurar instituições democráticas.
As autoridades venezuelanas consideraram essas ações como descumprimento das regras impostas em sua libertação.
O episódio ocorre em um momento de transição política tensa na Venezuela, com discussão no Parlamento sobre uma proposta de lei de anistia que pode beneficiar opositores detidos há anos, enquanto o governo enfrenta pressões internas e externas por reformas e liberdades políticas.