Justiça trava entrega da Taça das Bolinhas ao São Paulo após recurso do Flamengo
Decisão de tribunal paulista suspende o repasse imediato do troféu e transfere o veredito final sobre o dono das 156 esferas para a Justiça do Rio

O cenário jurídico da Taça das Bolinhas sofreu uma reviravolta dramática nesta terça-feira (14), mantendo o troféu em um estado de incerteza que já dura décadas.
A 12ª Vara Cível Federal de São Paulo reconsiderou e revogou a decisão anterior que determinava a entrega imediata do prêmio ao São Paulo Futebol Clube.
A mudança de rumo ocorreu após a justiça acatar um recurso interposto pelo Flamengo, que contesta veementemente a posse do objeto pelo clube paulista e busca o reconhecimento de seus próprios direitos sobre a peça.
Com a nova determinação judicial, o juízo paulista reconheceu que a competência para decidir o destino definitivo do Troféu Copa Brasil recai, na verdade, sobre a Justiça Federal do Rio de Janeiro.
Isso significa que qualquer ordem de entrega anterior está suspensa até que os tribunais fluminenses analisem o mérito da questão.
Até que esse novo capítulo jurídico seja concluído, o icônico troféu de 156 esferas, criado pelo artista plástico Maurício Salgueiro em 1975, permanece guardado sob a custódia e depósito da Caixa Econômica Federal em um cofre na cidade de São Paulo, cujo local exato é mantido sob sigilo por questões de segurança.
O cerne da disputa esportiva que impede a entrega definitiva da taça gira em torno do reconhecimento do polêmico título do Campeonato Brasileiro de 1987.
O Flamengo reivindica a posse por considerar-se o primeiro pentacampeão nacional (vencedor em 1980, 1982, 1983, 1987 e 1992), atingindo a meta de cinco conquistas alternadas prevista no regulamento original da CBD.
Contudo, o São Paulo sustenta que foi o primeiro a cumprir o requisito em 2007, fundamentando seu pedido na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que ratificou o Sport como o único campeão legítimo de 1987.
Em nota oficial divulgada após a decisão desta semana, o Rubro-Negro afirmou permanecer “confiante no reconhecimento definitivo de seus direitos sobre o troféu”.
A disputa, que já motivou diversas idas e vindas da taça (incluindo uma entrega ao São Paulo em 2011 que precisou ser revertida pouco tempo depois), agora aguarda uma definição da justiça fluminense.
Enquanto os tribunais não chegam a um veredito final sobre a competência jurisdicional e o mérito esportivo, o objeto de 5,6 kg composto por esferas de prata e ouro continua longe das salas de troféus de ambos os clubes.