Setor têxtil pede ao governo não aplicar antidumping sobre insumo da China

Tema de interesse da indústria está na pauta do Gecex, nesta quinta-feira

Representantes de mais de 60 empresas do setor têxtil se reuniram nesta terça-feira (26) com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para pedir que o governo federal não aplique medida antidumping sobre importações de fios de poliamida 6 (PA 6) originários da China. A deliberação está na pauta do Conselho Executivo de Gestão (Gecex) marcada para esta quinta-feira (28).

O setor argumenta que o Brasil não possui produção nacional de PA 6 em escala capaz de atender à demanda interna e que não há substituto técnico ou econômico viável para o insumo. A investigação antidumping foi instaurada pela Circular Secex nº 78/2024 e tem como base a demanda da Rhodia, fabricante exclusivamente de poliamida 6.6, produto que estudos do Departamento de Engenharia Mecânica da UnB e do Departamento de Engenharia Têxtil da UFSC atestam não ser similar à PA 6.

As empresas reunidas no requerimento conjunto empregam diretamente mais de 55 mil trabalhadores e respondem por outros 88 mil postos indiretos. Segundo o setor, uma taxação de 108% sobre o fio de náilon elevaria o custo da malha pronta em quase 70% e o preço ao consumidor final em até 60%, com impacto estimado de até 144 mil postos de trabalho ao longo de toda a cadeia produtiva. Há ainda risco de migração de parte da produção para países como Paraguai e China.

Para Nelson Ptchik, diretor da De Millus, a medida ameaça diretamente a produção de itens essenciais do vestuário brasileiro. “Não estamos defendendo uma empresa chinesa. Estamos defendendo empregos brasileiros e o acesso da população de menor renda a produtos básicos como lingerie, meias e uniformes escolares. A PA 6 não tem substituto nacional. Se o antidumping for aplicado, o custo vai para o consumidor final ou a produção vai para o exterior”, afirmou.

O ministro Márcio Elias Rosa reconheceu a complexidade do tema e afirmou que a decisão será baseada em análise técnica criteriosa, conduzida com equilíbrio e após escutar todos os lados envolvidos. Rosa defendeu o fortalecimento da indústria nacional como instrumento de desenvolvimento econômico e alertou para os riscos da desindustrialização, ressaltando que recuperar capacidade produtiva é mais difícil do que perdê-la. O ministro também destacou positivamente a perspectiva, apresentada durante a audiência, de investimento em um parque nacional de produção de nylon 6.

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