Primeiras impressões: rodamos no Ford EcoSport com pneu run flat e motor 1.5

A nova configuração topo de linha do SUV parte de R$ 103.890

Apresentado no último Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a nova versão do Ford EcoSport Titanium já está disponível nas concessionárias da marca. A configuração topo de linha conta com algumas novidades importantes para o modelo. E o preço está ainda mais salgado, passando dos R$ 100 mil (R$ 103.890, mais precisamente).

A partir de agora, a Titanium não contará mais com o estepe pendurado na traseira e os pneus serão do tipo run flat (primeiro SUV compacto do país a adotar esse tipo de tecnologia). Além disso, sai de cena o motor 2.0 e entra o novíssimo 1.5 de três cilindros.

Rodamos na nova versão com o motor de 137 cavalos e câmbio automático de seis velocidades. Testamos também os pneus run flat em situação extrema, murchos e furados. Nessa situação, eles podem rodar por até 80 quilômetros em velocidade máxima de 80km/h.

Sem o “caroço”

A traseira ficou mais elegante sem o pneu pendurado. Foto: DM/Diário do Poder

Primeiro vamos falar do visual. A principal — e única — mudança é a retirada do estepe da traseira. Com isso, pela primeira vez, no Brasil, vemos a tampa do porta-malas do Eco por completa. O que deixa o utilitário com ar mais elegante, moderno e urbano.

Por dentro nada mudou. Dessa forma, a cabine continua sendo um dos calcanhares de aquiles do EcoSport. Os materiais evoluíram muito nos últimos anos, mas o acabamento ainda deixa a desejar. Ainda há áreas, como nas portas, com peças mal encaixadas e rebarbas, que não podem existir em um veículos de mais de R$ 100 mil.

O interior peca pela qualidade do acabamento.

Outro ponto negativo é o porta-malas de apenas 356 litros. Como o estepe ficava na tampa, mesmo sem ele não houve ganho na área de carga. Além de ser pequena, pelos padrões da categoria (alguns modelos passam dos 400 litros), o formato também não ajuda, o que complica na intenção de levar algo grande.

Falta fôlego

Falta fôlego ao motor 1.5: dificuldade nas ultrapassagens.

Um dos grandes destaques da versão topo de linha do EcoSport era o motor. Mesmo beberrão, o 2.0 de 173 cavalos trabalhava bem e deixava o utilitário muito esperto, com uma das melhores acelerações da categoria. No entanto, esse propulsor está com os dias contados.

Essa é a mesma caixa de força que é utilizada no Focus, que deixará de ser produzido este ano. A Ford não garante que esse foi o motivo da troca de motores na Titanium, até porque, a Storm ainda contará com o 2.0. Mas é bem provável que o principal motivo seja esse.

O motor 1.5 é o mesmo que equipa o Ka.

Isso porque, o motor 1.5, mesmo sendo um dos melhores do mercado nesta litragem, é fraco para o utilitário, além de equipar as versões de entrada do SUV. Com isso, tirando o fora de estrada, não interessa qual configuração do Eco você procure, será sempre com o mesmo propulsor.

Lógico que o foco do modelo não é a esportividade. Mas mesmo assim, ele poderia ser mais esperto, principalmente em situações de ultrapassagens, saídas e retomadas de velocidade. Nessas situações, é preciso ter atenção e paciência para realizar as manobras com segurança.

Mesmo furado

Os pneus run flat rodam mesmo furados. Foto: DM/Diário do Poder

Para poder retirar o estepe da traseira do EcoSport, a Ford resolveu adotar pneus do tipo run flat, a marca e a Michelin, responsável pela produção do composto, garantem o valor de R$ 899 para cada unidade. Esse tipo de tecnologia permite rodar mesmo com os pneus furados ou murchos. Por não contar com o estepe, o Eco vem com um kit de reparo, aumentando em 200 quilômetros a distância que pode ser percorrida com o pneu furado.

No campo de provas da montadora, rodamos nessas situações para poder ver de perto como o utilitário, e os pneus, se comportam. O primeiro teste foi com um dos pneus traseiros sem pressão. O computador de bordo do veículo avisa que o composto está sem ar, com isso, o motorista precisa de atenção.

Sem o estepe, ele vem com um kit de reparo para os pneus.

O que seria uma situação de parar e trocar o pneu, é apenas para não ultrapassar a velocidade recomendada de 80km/h. Se o próprio carro não avisasse, seria praticamente impossível perceber que há algo de errado, tamanha a qualidade do run flat.

O segundo teste, foi com um dos pneus furados, novamente um dos traseiros. A Ford furou o composto com uma furadeira para não ter erro. Mantendo a mesma precaução dos 80km/h, mais uma vez é praticamente impossível perceber que há algo de errado. O reforço aplicado nos pneus, para rodarem sem pressão, é impressionante. O veículo não perde estabilidade e o motorista continua controlando o carro.

O veículo avisa quando um dos pneus está sem pressão. Foto: DM/Diário do Poder

O último teste foi realizado para apontar situações ainda mais extremas. Ele foi feito com os dois pneus traseiros furados, totalmente sem pressão. Nesse caso, o motorista precisa ter mais atenção, pois a traseira tende a “sambar” mais. Os controles de tração e estabilidade passam a funcionar ativamente para que o veículo não saia do curso. Ainda assim, o motorista tem o carro na mão. Mas é preciso ter atenção redobrada.

O que achamos

O visual da traseira ficou mais elegante, a dianteira continua a mesma.

A Ford conseguiu se sair relativamente bem sobre a questão do estepe. Com os pneus run flat, o veículo fica mais seguro. O grande temor era o preço, que foi bem contornado graças a parceria com a fornecedora, no caso a Michelin. Nisso, o Eco sobe de patamar.

No entanto, a utilização do motor 1.5 prejudica o desenvolvimento do utilitário na pista. A perda de 36 cavalos fez diferença. O nível de acabamento continua sendo o maior ponto negativo do SUV, que conta com boa lista de equipamentos desde que foi apresentada a atual geração. Vale o teste drive! Nota 7.

Ficha técnica

Mesmo com 137 cavalos, o propulsor é fraco para o EcoSport.

Motor: 1.5

Potência máxima: 137/130cv

Torque máximo: 16,1/15,6kgfm

Transmissão: automática de 6 velocidades

Direção: elétrica

Suspensão:independente tipo Mcpherson na dianteira e twist-beam na traseira

Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira

Porta-malas: 356 litros

Dimensões (A x L x C x EE): 1.440 x 1.992 x 4.419 x 2.505mm

Preço: R$ 103.890

 

Concorrentes

Foto: Honda/Divulgação

Honda HR-V EXL

Motor: 1.8

Potência máxima: 140/139cv

Torque máximo: 17,7/17,5kgfm

Transmissão: automática CVT

Direção: elétrica

Porta-malas: 437 litros

Tamanho (A x L x C x EE): 1.586 x 1.772 x 4.294 x 2.610mm

Preço: a partir de R$ 108.500

Foto: Hyundai/Divulgação

Hyundai Creta Prestige

Motor: 2.0

Potência máxima: 166/156cv

Torque máximo: 20,5/19,1kgfm

Transmissão: automática de 6 velocidades

Direção: elétrica

Porta-malas: 431 litros

Tamanho (A x L x C x EE): 1.635 x 1.780 x 4.270 x 2.590mm

Preço: a partir de R$ 104.990

 

Foto: Nissan/Divulgação

Nissan Kicks SL

Motor: 1.4

Potência máxima: 114cv

Torque máximo: 15,5kgfm

Transmissão: automática CVT

Direção: elétrica

Porta-malas: 432 litros

Tamanho (A x L x C x EE): 1.590 x 1.760 x 4.295mm

Preço: a partir de R$ 101.390

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