Importação de fertilizantes despenca 25% e acende alerta no agro

Queda é puxada por juros altos, crédito restrito e incertezas externas

As importações brasileiras de fertilizantes intermediários registraram queda em fevereiro, recuando 25,2% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos. O volume total importado foi de 2,24 milhões de toneladas.

No acumulado do primeiro bimestre, o país importou 5,41 milhões de toneladas, retração de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A entidade aponta que o desempenho reflete um cenário adverso, marcado por juros elevados, crédito mais restrito ao produtor rural e instabilidade geopolítica.

Apesar disso, os dados ainda não capturam integralmente os efeitos da recente escalada de conflitos no Oriente Médio, iniciada em fevereiro, o que pode agravar o cenário nos próximos meses. O Porto de Paranaguá segue como principal porta de entrada dos fertilizantes no país, concentrando 26,1% das importações no período. Ainda assim, o volume descarregado no terminal caiu 17,8% em relação ao primeiro bimestre de 2025.

A produção nacional também apresentou retração relevante, com queda de 14,1% em fevereiro e de 19,2% no acumulado do ano, somando 931 mil toneladas. Já as entregas ao mercado interno recuaram 8,6% no mês e 1,3% no bimestre, indicando desaceleração na demanda. Entre os estados, Mato Grosso liderou o recebimento de fertilizantes, com 27,5% do total, seguido por Goiás, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

O recuo generalizado reforça a preocupação do setor com os custos de produção e o acesso a insumos, considerados estratégicos para o desempenho do agronegócio.

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