Petróleo encosta nos US$ 100 após Trump anunciar bloqueio do Estreito de Ormuz
Troca de acusações entre Washington e Teerã trava avanços no Paquistão e eleva presença militar na principal rota do petróleo

Os preços internacionais do petróleo registraram forte valorização nesta segunda-feira (13), aproximando-se do patamar de US$ 100 por barril. O movimento de alta foi impulsionado pela decisão do presidente Donald Trump de iniciar um bloqueio dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, medida que ocorre mesmo durante a vigência de um cessar-fogo com o Irã e aumenta o temor sobre o fornecimento global de energia.
No mercado de Nova York (Nymex), o petróleo WTI com entrega prevista para maio encerrou a sessão com ganho de 2,6% (mais US$ 2,51), cotado a US$ 99,08. Paralelamente, em Londres, o barril do tipo Brent para junho, negociado na ICE, saltou 4,36% (acréscimo de US$ 4,16), finalizando o dia a US$ 99,36.
A escalada nos custos da commodity pressiona diretamente o setor energético europeu. Como resposta, o governo da Alemanha comunicou hoje uma desoneração temporária nos impostos sobre o diesel e a gasolina, com validade prevista para os próximos dois meses.
A cotação chegou a recuar das máximas registradas ao longo do dia após declarações de Trump indicando que o governo iraniano teria sinalizado interesse em retomar o diálogo. No último fim de semana, tratativas realizadas em solo paquistanês entre emissários de Washington e Teerã terminaram sem um veredito, após extensas rodadas de debate.
O cenário diplomático, contudo, permanece ríspido. O líder da Casa Branca afirmou que o Irã claramente “não estava levando as conversas de paz a sério”, enquanto o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, contra-atacou ao declarar que os Estados Unidos mudaram “constantemente” suas demandas durante as negociações.
No campo operacional, a agência UK Maritime Trade Operations (UKMTO) ressaltou que, por ora, a navegação pelo Estreito de Ormuz não sofreu bloqueios para embarcações com rotas alheias ao Irã. A entidade alertou, entretanto, que os navios na região podem se deparar com reforço de patrulhamento militar, inspeções de carga e comunicações direcionadas por parte das forças navais.