Conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia pressionam agro
Milho e frango lideram lista de produtos mais vulneráveis, enquanto soja e suco de laranja mostram menor exposição

A intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia já impactam o agronegócio brasileiro, com efeitos mais fortes sobre cadeias dependentes de exportações e rotas logísticas dessas regiões, segundo levantamento da Datagro.
O milho é o produto mais exposto. Em 2025, 31,5% das exportações brasileiras tiveram como destino o Oriente Médio, com destaque para o Irã, responsável por cerca de 22% dos embarques.
A dependência logística torna o setor sensível a tensões no Golfo, com risco de aumento de fretes, seguros e adiamento de compras. A carne de frango também apresenta alta vulnerabilidade. Cerca de 30% das exportações seguem para a região, o que amplia o impacto de eventuais restrições comerciais e encarecimento do transporte marítimo.
O açúcar aparece em seguida, com 17,1% das exportações destinadas ao Oriente Médio — incluindo mercados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. Apesar da possibilidade de redirecionamento, interrupções iniciais podem afetar receitas.
A carne bovina tem exposição menor, com cerca de 10% das exportações voltadas a regiões em conflito, mas ainda sujeita a pressões logísticas e de custo. Já os ovos, embora menos relevantes economicamente, destinam cerca de 6% dos embarques ao Oriente Médio e vêm registrando crescimento recente.
Entre os produtos mais resilientes, o café tem apenas 6% da receita vinculada a essas regiões, com maior dependência da União Europeia e dos Estados Unidos. A soja, principal item da pauta exportadora brasileira, apresenta baixa exposição direta, com apenas 2,3% dos embarques destinados a áreas de conflito. O mercado é dominado pela China, que absorve a maior parte da produção.
Etanol e algodão também mostram baixa vulnerabilidade direta, com impactos restritos a custos logísticos e variações no preço do petróleo. O suco de laranja aparece como o menos afetado, com apenas 0,16% das exportações destinadas ao Oriente Médio e forte concentração em mercados ocidentais.
Segundo a consultoria, o principal efeito transversal para o agro brasileiro deve ocorrer via aumento de custos logísticos, especialmente fretes e seguros marítimos, além de possíveis mudanças nos fluxos comerciais globais.