CNI: ‘Não podemos poupar esforços. Tarifaço piora corrosão competitiva’

20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os EUA

Há mais de um ano atrás, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ocupou o vácuo de negociação do governo Lula (PT) e viajou aos Estados Unidos para tentar impedir a primeira ameaça de tarifaço de 50% contra produtos brasileiros. Nesta quinta-feira (16), a confederação voltou a demonstrar preocupação com os efeitos corrosivos sobre a competitividade do Brasil, diante da nova tarifa de 25% anunciada ontem pelo governo de Donald Trump. E cobrou que não se pode poupar esforços para reverter a taxação.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio [de ontem], o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, defentu o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A fala remete ao apelo feito em 28 de julho do ano passado, quando a CNI pressionava o governo Lula para que o Brasil priorizasse seus reais interesses, pelo bem comum de todos e da verdadeira soberania. Em setembro do mesmo ano, Alban liderou uma comitiva de empresários que foram a Washington negociar com autoridades dos EUA, em defesa do caminho do diálogo e rigor técnico. E apresentou propostas concretas em áreas de interessantes para os dois países, como energia renovável, biocombustíveis, minerais críticos e tecnologia.

Hoje, a CNI reafirmou que nova sobretaxa agrava o cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países. Porque as tarifas adotadas por Trump, desde o ano passado, já levaram as exportações brasileiras para o mercado do país norte-americano diminuir 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.

“A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente de produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço. Apesar da queda, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período”, explicou a CNI.

Nas exportações dos estados brasileiros, as taxações de Trump levaram à queda nas vendas para os Estados Unidos, no primeiro semestre deste ano de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, nas 20 das 27 unidades da Federação.

Veja a ilustração da CNI sobre estes efeitos do tarifaço dos EUA:

Sair da versão mobile