SUVs de sete lugares ganham mais um representante, o GWM Haval H9
O modelo segue um padrão conhecido do segmento, feito com base em uma picape, no caso, a Poer P30, que compartilha o mesmo conjunto mecânico

São Francisco de Paula (RS) – Hoje no Brasil, a categoria que mais emplaca modelos e que virou sonho de consumo dos motoristas brasileiros é, de longe, a de SUVs. Crescendo a cada momento, os utilitários estão sempre recebendo novidades, é bastante segmentado e conta com uma variação grande de opções.
Os mais conhecidos são, claro, os compactos – dentre todos os utilitários, a que mais tem representantes e que mais vende. Além deles, há os supercompactos, logo abaixo, os médios acima e os grandes. E cada segmento dividido por tamanho tem outras variações, como esportivos, de pegada aventureira sem ser 4×4 e os verdadeiramente off-road.
A marca apresenta mais um modelo no Brasil.
Hoje em dia eles também podem ser separados por tipo de combustível, tendo os puramente a gasolina, os flex, os movidos à diesel e os eletrificados, que separam entre híbridos leves, clássicos e plug-in e os totalmente elétricos. E, como é de se esperar, tem os que unem mais de um estilo e acabam criando outra subcategoria.
Um dos segmentos mais específicos é o que une motorização diesel, tração 4×4 e capacidade de levar sete pessoas. Este é liderado pelo Toyota SW4, seguido de perto pelo Jeep Commander, ainda conta com Mitsubishi Pajero Sport e Chevrolet Trailblazer e acaba de ganhar um representante de peso, o GWM Haval H9, que trazemos as “Primeiras Impressões” agora. O modelo, vindo da China, será feito aqui.
Precificação
O modelo chega com preço bem agressivo.
Como os outros modelos da linha Haval e seguindo o mesmo padrão apresentado na Poer, o H9 chega com um preço super agressivo, em relação à categoria. Em versão única, ele sai por R$ 309 mil na pré-venda até o fim de setembro, e, após este período, passa para R$ 319 mil. Não é nada barato, mas a diferença para os rivais é absurda, supera os R$ 150 mil.
O grande adversário é o Toyota SW4. O SUV derivado da Hilux começa em inacreditáveis R$ 419.090 e chega em absurdos R$ 469.890. Outro modelo que tem mais de uma versão é o Mitsubishi Pajero Sport, que vai de R$ 355.990 até R$ 432.990. O Chevrolet Trailblazer, assim como o H9, tem apenas uma opção, que custa insanos R$ 411.690. Ainda há um quarto oponente, mas este não é baseado em picape, o Jeep Commander por R$ 308.490.
Dois lados
O desenho da carroceria é bem robusto e cheio de linhas retas.
Assim como a irmã picape, o SUV faz uso de dois estilos distintos no visual. Por fora, a marca aposta em uma pegada mais robusta, com linhas mais retas e agressivas. A dianteira é super proeminente, com uma grade frontal gigante com quatro barras horizontais que reforçam ainda mais o aspecto fora de estrada, os faróis full LED são arredondados e o para-choque volumoso, com um grande skidplat em preto.
As linhas mais retilíneas também são vistas nas laterais, até as caixas de roda não são exatamente arredondadas e os apliques nelas e nas saias são da cor da carroceria, assim como as maçanetas e as capas dos retrovisores, apenas as colunas, o rack de teto e o estribo, que é elétrico, são em preto. As rodas têm acabamento diamantado.
O visual interno é mais moderno e foge bem do visto na carroceria.
A traseira segue o padrão de SUVs mais robustos, com uma tampa do porta-malas gigante que abre de lado e não para cima. O H9 conta com um item curioso, o porta-objetos com chave que imita o estepe pendurado, ótimo para levar mais algumas coisas, principalmente quando todos os bancos estiverem ocupados. As lanternas, assim como os faróis, são em LED.
O interior segue o padrão da irmã Poer. Se o exterior é robusto, a cabine foca no estilo mais moderno, apesar de também fazer uso de linhas super retas. Inclusive, ele conta com vários detalhes iguais ao da picape, como as telas digitais de 10,25 e 14,6 polegadas, a manopla do câmbio (que vem do Tank 300), os comandos do volante e parte do console central.
A terceira fileria de bancos surpreende pelo bom espaço.
A diferença fica pelo painel, que conta com um apoio de mão típico de veículos off-road, parte do console central e nos comandos do ar-condicionado, que, inclusive, é de três zonas e conta com saídas até para a terceira fileira de bancos. O acabamento é primoroso, sem nenhum tipo de rebarba ou peça mal encaixada, sem falar na qualidade dos materiais.
O espaço interno também é o ponto forte da cabine. A segunda fileira tem uma área generosa para as pernas e o assento é deslizante para otimizar ainda mais o uso, principalmente para quem vai atrás. Nos bancos traseiros, o acesso é super fácil, mesmo para um adulto grande, e é possível fazer viagens curtas sem muito desconforto. O porta-malas varia de 88 a 791 litros, com todas os bancos rebatidos, vai a 1.580 litros
Super completo
A lista de itens de segurança e comodidade é bem grande.
As comparações com a Poer não param, até porque os dois modelos seguem a mesma base. Mas se a picape é bem equipada, o SUV vai além. A lista é para lá de completa e mostra como os principais rivais estão super defasados, mesmo custando muito mais que o novato da categoria.
De série, ele vem com rack de teto, estribo rebatível elétrico, bancos em couro sintético e dianteiros com ajustes elétricos, refrigeração, aquecimento e massagem em oito níveis, as telas digitais, conexão sem fio com smartphones via Android Auto e Apple CarPlay, conectividade 4G, comandos de voz em português, luz ambiente.
Um dos diversos itens de destaque do SUV, a câmera 580º.
Carregador sem fio de 50w, chave sensorial, partida por botão e remota, ar-condicionado de três zonas com saídas para as duas fileiras de assentos traseiros, volante com aquecimento, múltiplas entradas USB-C e USB-A espalhadas pela cabine, sistema de som premium de 640 watts RMS e teto solar panorâmico.
Na parte da segurança, ele vem com freio de estacionamento eletrônico, assistente de partida e descida em rampa, monitoramento de pressão dos pneus, e-CALL (chamada de emergência), seis airbags, sensores de estacionamento traseiro, faróis full LED com ajuste elétrico, acendimento e desligamento automático.
Estribo elétrico rebatível de série.
Aviso de porta aberta, monitoramento de ponto cego, câmera 580º (além da 360º, ele conta com um interessante sistema que vai além do capô “transparente”, mostra toda a região abaixo do veículo, ideal na hora de enfrentar maiores desafios off-road) e ADAS de nível 2+, os auxiliares de condução semi autônomos.
O pacote agrega alerta e frenagem de tráfego cruzado frontal e traseiro, frenagem de emergência em baixa velocidade, alarme de velocidade, piloto automático adaptativo com stop&go, aviso de colisão traseira, controle de distância de estacionamento, aviso de saída e assistentes de permanência e centralização de faixa, assistência inteligente de emergência, mitigação de colisão secundária e reconhecimento de sinais de trânsito.
Alta capacidade
No fora de estrada, ele se comporta como se estivesse no asfalto liso.
O conjunto mecânico do Haval H9 é o mesmo visto na Poer, com motor turbo diesel 2.4 de 184 cavalos e 48,9kgfm de torque, aliado a uma câmbio automático de nove velocidades, direção elétrica e tração 4×4. A diferença é que o SUV conta com sete modos de condução que ajustam sistemas como propulsor, freios, bloqueio e controle de tração e estabilidade.
A suspensão é independente do tipo duplo “A double-wishbone” na dianteira e eixo rígido com sistema de cinco braços (five-link) na traseira. Os freios são a disco e contam com um moderno sistema chamado de “controle integrado de frenagem”, onde as freadas são realizadas por motor elétrico, o que elimina a necessidade de um servofreio a vácuo tradicional e a bomba de vácuo e garante rápida resposta de frenagem.
A direção do SUV é segura e confortável.
Assim como a irmã, o lançamento do H9 foi realizado no interior do Rio Grande do Sul. Onde também rodamos apenas por vias de terra, longe do asfalto e, assim como a picape, o SUV grande saiu-se muito bem. Em trechos apenas de terra, nem há necessidade de ativar o 4×4, apenas no 4×2 ele já responde bem, com boas acelerações e retomadas.
Mesmo com muito cascalho solto, o motorista sente o Haval H9 na mão há todo momento, sempre com total controle do utilitário. O câmbio atual de forma formidável também, bem alinhado com o motor. Assim como a picape, não apresenta aquele delay típico deste tipo de conjunto. No fora de estrada, a suspensão se mostra excelente. A grande questão, assim como na Poer, é que não rodamos no asfalto com o SUV.
Além de tudo, off-road
Do sistema de tração ao números técnicos, o H9 tem um 4×4 super otimizado.
Um ponto em comum com todos os principais rivais é a união dos sete lugares com o conjunto mecânico 4×4, ou seja, é possível levar a família toda para um passeio longe do asfalto. Mas ele vai além, com números impressionantes e sistemas de proteção raros de se ver, como placas metálicas na parte inferior do chassis que variam de 1.2mm a 3mm.
Ele conta ainda com 800mm de capacidade de imersão, 224mm de altura do solo, 31º de ângulo de entrada, 25º de saída e 22,5º de rampa, além de 221mm de curso da suspensão dianteira e 235mm na traseira. E, entre os modos de condução, há três voltados para o uso no off-road (areia, neve e lama), ele ainda tem diferencial dianteiro e traseiro blocante.
O SUV grande tem alga capacidade off-road.
Durante o lançamento dele, não encaramos desafios tão grandes, como atravessar rios, como foi com a Poer, mas ainda assim, foi possível ver que o uso no fora de estrada do H9 é tão bom quanto o da picape. No dia, choveu bastante e as vias cascalhadas estavam ainda mais lisas e com um bom excesso de lama.
Ainda assim, apenas o modo 4×4 normal foi suficiente para uma rodagem segura e confortável. O seletor redondo é fácil de usar, até para ativar a reduzida, se for necessário, não demanda muito (claro que é preciso parar o veículo e colocar o câmbio no Neutro para isso). A facilidade dele no fora de estrada mostra que no asfalto, deve ser tão bom quanto.
A opinião do Diário Motor
GWM Haval H9.
Como a Poer P30 o Haval H9 se mostra muito interessante, do visual externo, como praxe da categoria, chamativo mais pelo tamanho do que pelo desenho em si, ao interno, super moderno. Sem falar que os sete lugares são de verdade, até um adulto do 1.8m consegue sentar na terceira fileira sem muito aperto. O ar de três zonas ainda é um plus.
Falando nisso, a lista de equipamentos é de respeito, muito maior do que a de todos os principais rivais, o preço – que não é barato – mas chega a ser R$ 150 mil a menos do que o concorrente mais caro, mostra como o segmento é superfaturado. Sem falar no bom conjunto mecânico e ótimo sistema 4×4. Até mesmo para quem não precisa dos sete lugares, ele vale a compra! Como não rodamos no asfalto com ele no lançamento, nota: 9.
Ficha Técnica
Motor: 2.4 turbo diesel
Potência máxima: 184cv
Torque máximo: 48,9kgfm
Direção: elétrica
Suspensão: independente na dianteira e eixo rígido de cinco braços na traseira
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: de 88 e 791 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.930 x 1.930 x 4.950 x 2.850mm
Preço: R$ 319 mil
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