Hyundai Kona, um SUV híbrido que peca – muito – no preço pedido
Testamos o modelo que é uma mistura de SUV com monovolume, tem boa lista de equipamentos, anda bem, mas tem um valor assustador

Hoje em dia, existem vários tipos de sistemas propulsores para veículos. Os mais comuns, claro, são os puramente a combustão. Mas até eles são segmentados pelo tipo de combustível, podendo ser gasolina, diesel e flex (antigamente, antes dos motores “flexíveis”, existiam os a álcool, hoje em dia chamados de etanol).
Outro tipo, que vem ficando mais comum, é o elétrico. E há uma terceira via que une os dois modelos, os híbridos. Estes, utilizam um (ou mais) motor elétrico em conjunto com um a combustão. Curiosamente, assim como os movidos puramente a combustíveis, os híbridos também têm versões base diferentes.
São três tipos mais comuns, os MHEV, os leves (que muitos nem consideram híbridos porque o motor elétrico não gera força para as rodas), os HEV, também chamados de híbridos pleno, ou tradicional (onde o motor a combustão trabalha em conjunto ao elétrico) e os PHEV, que tem recarga externa da bateria e a força dos propulsores se somam.
Durante muito tempo aqui no Brasil, os HEV foram os únicos tipos de híbridos disponíveis. Atualmente, os PHEV vêm ganhando cada vez mais espaço, mas ainda há marcas que apostam nos plenos, com o foco em quem não tem condições de carregar o veículo, como a Hyundai com o Kona, o nosso “Teste da Vez”.
Precificação
O SUV peca muito no preço.
A Signature é a versão topo de linha do Kona e o grande – gigante – problema dela é o preço, totalmente fora da realidade. A Hyundai tem coragem de pedir inacreditáveis R$ 234.990 em um SUV, meio que crossover, compacto. É mais caro que muito utilitário médio híbrido plug-in e até de elétricos.
O mercado ainda não conta com muitos SUVs híbridos plenos, logo, o Kona não tem tantos rivais diretos. Os dois principais são o Toyota Corolla Cross e GWM Haval H6, ambos por R$ 220 mil. Ou seja, além de serem R$ 15 mil mais baratos que o sul-coreano, eles são médios, bem maiores do que o modelo da Hyundai.
Diferenciado
O Kona tem um estilo bem futurista.
Um dos destaques do Kona é o visual, super diferenciado e futurista. Sem falar que ele parece mais um crossover do que realmente um SUV. Ele tem também um quê de elétrico, por conta da porção de cima da grade, que é totalmente fechada. A entrada de ar frontal fica no para-choque, que abriga também os faróis, bem nas pontas.
Falando do conjunto óptico, eles são um show à parte. As bolhas principais ficam bem nas pontas, quase avançando pelas laterais, e a luz de circulação diurna vai de um lado a outro do capô, todas em LED. Um fator engraçado é que as lanternas seguem o mesmo padrão.
O interior tem botões além da conta.
As laterais reforçam o desenho futurista com linhas tridimensionais, bem anguladas e com vincos marcantes nas portas, que acompanham o estilo das rodas. Ele ainda conta com grandes proteções ao redor da carroceria. Atrás, o para-choque é bem volumoso, com uma tampa do porta-malas quase chapada e o show das lanternas em LED.
Agora, se por fora o desenho é diferenciado, por dentro é, no mínimo, estranho. A melhor parte é o conjunto de telas, ambas de 12,3 polegadas. O volante também é diferenciado, com o logo dos modelos eletrificados da Hyundai no centro, em vez do clássico “H”. Mas o estranho mesmo é o excesso de botão, principalmente para a central multimídia.
Apesar de ser um SUV compacto, o espaço traseiro é muito bom.
O que é curioso, porque há um tempo a indústria vem reduzindo drasticamente a quantidade de botões físicos. Com o Kona, a Hyundai parece ter ido para o lado contrário, é muita informação desnecessária, sem falar no visual de modelo dos anos 2000. Um ponto legal é a alavanca do câmbio no volante, o que ganha um bom espaço no console central.
Sobre o espaço, o dele é bem bom. Um fato curioso é que, olhando de fora, ele parece pequeno, por dentro se mostra espaçoso, principalmente para as pernas dos ocupantes de trás, que viajam com conforto em dois adultos, um terceiro já gera um aperto, sem muitos exageros, mas desconfortável. O porta-malas também é bom, na média, leva 407 litros.
Como deve ser
A lista de equipamentos é bem completa.
Bem, estamos falando de um SUV compacto de quase R$ 250 mil, ou seja, qualquer equipamento de série é mais do que obrigação. Ele vem com bancos em couro, painel de instrumentos digital e central multimídia ambos com telas de 12,3 polegadas, conexão sem fio para smartphones via Android Auto e Apple CarPlay.
Iluminação ambiente, ar-condicionado digital dual zone com saída para traseira, assento do motorista com ajustes elétricos, chave sensorial, partida por botão, porta-malas com abertura elétrica e ajuste de altura, teto solar elétrico, quatro portas USB e carregador sem fio para smartphones completam a lista de comodidades.
O conjunto de telas se destacam na cabine do SUV.
Na parte da segurança, faróis full LED, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, crepuscular e de chuva, câmera 360º, retrovisores externos com rebatimento elétrico e função anti embaçante, sete airbags, controles de tração e estabilidade, auxiliar de partida em rampa, freio de estacionamento eletrônico com auto hold e pacote Adas nível 2.
O sistema de auxiliares de condução do Kona vem com piloto automático adaptativo com Stop & Go, alerta de frenagem, assistentes de permanência e centralização em faixa, monitoramento de ponto cego e alertas de tráfego cruzado traseiro e de saída segura, auxiliar de estacionamento.
Otimizado
O destaque do sistema híbrido é o alto torque, além do consumo otimizado.
Como falamos, o Kona utiliza um sistema híbrido pleno, o HEV. Ou seja, ele conta com um motor a combustão – puramente a gasolina – e outro elétrico que atuam juntos, às potências não se somam, se completam. A bateria não é tão grande, de 1,45kWh de capacidade e não tem recarga externa, é tudo feito pelo propulsor térmico ou nas frenagens.
No caso específico do sul-coreano, ele utiliza um motor 1.6 aspirado, da mesma família que HB20 e Creta já usaram no Brasil, aliado ao elétrico. Com isso, o conjunto gera 141 cavalos, o que é uma potência mediana, mas excelentes 27kgfm de torque, o que realmente faz a diferença, principalmente nas saídas em velocidade.
O motorista tem o SUV sempre à mão.
Essas manobras são feitas com facilidade, otimizadas pelo câmbio automático de dupla embreagem de seis velocidades. A fusão da transmissão com o alto valor de torque faz com que o SUV tenha saídas vigorosas e até divertidas. Ele acelera muito bem, basta o mínimo toque no acelerador para ele sair com vontade, até no modo Eco.
Falando dos modos de condução, um fato engraçado. Além do econômico, ele tem o Sport, que deixa o SUV ainda mais esperto e divertido, e um que, além de estranho é, de certa forma, inútil, o Snow. A Hyundai poderia, ao menos, ter mudado o nome dele, para “escorregadio”, por exemplo. E ele não conta com um modo “normal”.
A alavanca do cãmbio fica na coluna de direção.
Mas voltando ao câmbio, por ser de dupla embreagem, não há qualquer tipo de tranco nas trocas, elas são feitas com suavidade e de forma rápida. E ainda há opção de trocas manuais por meio das borboletas no volante. Além disso, o motorista tem o utilitário na mão, em momento algum ele passa a impressão de perda de direção, mesmo em curvas de alta.
A suspensão também trabalha bem. O sistema absorve com firmeza as imperfeições do solo e não as repassa para a cabine. Como é de se esperar de um sistema híbrido, mesmo um pleno, o consumo é o grande destaque, durante o nosso teste, realizado todo na cidade, o Kona marcou ótimos 19,5km/l
A opinião do Diário Motor
Hyundai Kona.
O Kona é um veículo bem interessante. Tem um espaço interno fora do comum para um SUV compacto, mesmo que ele tenha mais cara de crossover, uma boa lista de equipamentos, um visual diferenciado para quem gosta e o conjunto mecânico híbrido pleno que garante uma direção divertida, principalmente nas saídas, e um consumo otimizado.
No entanto, mesmo com tudo isso, ele tem um problema gigante, o preço! Afinal, são R$ 235 mil em um SUV compacto, mesmo que ele tenha tudo isso que citamos. Sempre falamos que carro está caro, mas existem os exageros e a Hyundai fez isso com o Kona, custasse uns R$ 30 mil a menos, seria mais interessante. Mas por conta do preço, e olhando para os rivais, mais baratos e maiores, não vale a compra! Nota: 4,5.
Ficha Técnica
Motor: 1.6 híbrido pleno
Potência máxima: 141cv
Torque máximo: 27kgfm
Transmissão: automática dupla embreagem de seis velocidades
Direção: elétrica
Suspensão: independente nos dois eixos
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: 407 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.580 x 1.825 x 4.350 x 2.660mm
Preço: R$ 234.990
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