Chevrolet Blazer EV é sublime, mas cobra exageradamente por isso
Testamos o SUV grande elétrico da marca da gravata, que impressiona em todos os quesitos, inclusive, no preço para lá de exagerado

O mercado de veículos elétricos vem crescendo cada vez mais no Brasil, principalmente por conta da “invasão” chinesa. As marcas do país oriental apostam bem nas chamadas “novas energias”, fugindo dos motores clássicos a combustão. Mas as ditas tradicionais não querem ficar para trás e também contam com seus modelos de zero emissões de poluentes.
Um fato curioso é que, por aqui, antes das chinesas, foram as marcas premium, ou de luxo, que apostaram em modelos totalmente elétricos. Com o tempo, e vendo a oportunidade de mercado, as tradicionalistas também entraram no jogo. Uma delas é a Chevrolet, que fez uma mistura meio exagerada, com o Blazer EV, o nosso “Teste da Vez”, um SUV de uma montadora tradicional, mas com preço de modelos luxuosos.
Precificação
O SUV é de marca tradicional, mas com preço de montadora de luxo.
Já de cara um spoiler, o grande e praticamente único porém do Blazer EV é o preço. O SUV grande sai por insalubres R$ 503.190, ou seja, para levar o americano elétrico para casa, é preciso desembolsar mais de meio milhão de reais. O problema vai além do valor exorbitante. É que ele supera modelos de luxo, mesmo que menores, mas que trazem mais status – coisa que o consumidor brasileiro gosta muito – do que a marca da gravata.
Alguns exemplos são: Volvo XC40 (R$ 384.950), Mercedes-Benz EQB (R$ 399.900) e BMW iX2 (R$ 495.950). Ainda tem os chineses super potentes, que superam os 500 cavalos, BYD Sealion 7 (R$ 339.990) e Zeekr 001 (R$ 495.000), além do GAC Hyptec HT asa de gaivota (R$ 369.990). O principal rival também custa menos, o Ford Mustang Mach-E (R$ 449.000). Apenas Porsche Macan (R$ 690 mil) e Audi Q6 etron (R$ 695.990) são mais caros.
Bem chamativo
Porte avantajado e visual chamativo.
O Blazer EV é um veículo imponente, grande e chamativo, ainda mais na cor da unidade que testamos, um vermelho fechado. Poucos modelos, principalmente elétricos, chamam tanta atenção, geram tantas “quebradas de pescoço” como o americano. Ele foge bastante da mesmice que vemos nos chineses, por exemplo, onde todos são muito parecidos.
Além do visual diferenciado, o porte também ajuda, afinal, estamos falando de um SUV grande, tipicamente estadunidense. São 4.884mm de comprimento – 1mm a mais do que o irmão Trailblazer, que é de sete lugares –, 1.982mm de largura (80mm de diferença), impressionantes 3.094mm de entre-eixos e 1.650mm de altura.
Por ser baixo e largo, ele tem um estilo bem próprio.
Na parte visual, o utilitário se destaca por linhas esportivas e agressivas, já que a versão vendida por aqui é a RS. A dianteira conta com uma grande peça em preto brilhante que imita uma grade frontal, mas apenas no estilo, dando um ar apimentado ao SUV. Os faróis são belamente esculpidos, com filetes luminosos que ligam as duas peças à gravata.
As gigantescas rodas de 21 polegadas têm desenho interessante, muito semelhante a de veículos conceitos. As laterais contam com grandes vincos, apontando o lado esportivo e parrudo do SUV. A coluna C, mais larga, e a “invasão” das lanternas (que têm um formato de “T” bem fora do comum) pelas laterais, dão um ar alongado ao utilitário.
Espaço de sobra
O visual interno também é chamativo.
Estamos falando de um veículo que supera os R$ 500 mil e a cabine precisa corresponder minimamente a isso. E o Blazer EV não faz feio, pelo contrário. Com um interior elegante e moderno, ele se destaca pelo display único e curvo que abriga as telas duplas de incríveis 17,7 polegadas para a central multimídia e de 11 para o painel de instrumentos
Ele ainda conta com um teto solar panorâmico e abertura elétrica, console central elevado (no estilo de modelos a combustão). O comum com veículos elétricos tradicionais é a área livre onde deveria ter a manopla do câmbio, já que não existe uma transmissão ali, onde a marca adicionou mais um nicho, de vários pela cabine, mas este fechado. Chama a atenção também as saídas de ar, que remetem a turbinas de jatos.
Espaço traseiro confortável para três adultos.
Outro ponto que deve existir em um veículo deste preço é um acabamento para lá de perfeito. E, nisso, a GM mandou bem também. O interior do Blazer é muito bem-feito, com materiais de alta qualidade, sem qualquer tipo de rebarba ou peças mal encaixadas. É couro por toda a cabine, com bancos, volante e console central com costuras em vermelho e azul. Os assentos ainda têm detalhes em camurça e o teto é escurecido.
Agora, além do estilo e da qualidade dos materiais, o grande diferencial mesmo da cabine é o espaço interno. Os mais de três metros de entre-eixos e quase dois de largura garantem uma área super generosa para todos os ocupantes. Até mesmo cinco adultos viajam com muito conforto e sem aperto algum e ainda contam com saída de ar para o banco traseiro. O porta-malas tem um tamanho honesto para o porte do SUV, são 436 litros de capacidade.
Apenas a obrigação
Saída de ar para trás e bancos traseiros aquecidos.
Mais uma vez, estamos falando de um SUV que supera o meio milhão de reais, logo, tudo que ele tem de equipamento não passa meramente da obrigação da marca. Logo, ele é o modelo mais completo que a Chevrolet já vendeu no Brasil. A lista de equipamentos conta com o que há de melhor na marca, inclusive, com itens raros de se ver.
Entre os itens incomuns, o utilitário vem com bancos traseiros com aquecimento, retrovisor interno com câmera, ignição automática (basta entrar no veículo com a chave que ele já está ligado e, para desligá-lo, é só sair e fechar as portas), há também partida remota, raro em veículos elétricos, mas que ajuda a climatizar melhor a cabine.
A lista de equipamentos corresponde ao preço pedido no SUV.
Na parte da comodidade, ele vem com bancos dianteiros aquecidos, ventilados e com regulagem elétrica, carregador sem fio para smartphones, ar-condicionado dual zone com saída para a traseira, abertura elétrica da tampa do porta-malas com sistema “sem as mãos”, basta se aproximar, ele toca três apitos e abre sozinho, para fechar, basta se afastar.
Ele ainda vem com som premium da Bose, wi-fi embarcado, cinco portas USB, volante aquecido (bom para quem mora em regiões mais frias), head-up display e a central multimídia tem conexão sem fio para smartphones via Android Auto e Apple CarPlay e sistema Google Built-in, com aplicativos nativos.
Além das generosas telas digitais, ele tem head-up display.
Na parte da segurança, são oito airbags, alertas de frenagem automática de colisão frontal, de tráfego cruzado traseiro e dianteiro, além de abertura de porta com detecção de ciclista. Estes precisam de um pouco mais de costume para entender como funcionam, mas são muito úteis, principalmente em manobras que alguém passa por trás do veículo.
Ainda entre os itens de segurança, monitoramento de ponto cego, alerta de pressão dos pneus, faróis full LED, frenagem automática, auxiliar de permanência em faixa, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, crepuscular e de chuva, sistema de câmeras 360º (com excelente visualização na tela de 17 polegadas) e freio de estacionamento eletrônico.
Baita autonomia
A autonomia é um dos pontos fortes do SUV.
Quem diria que um dia existiria um veículo com o nome Blazer e que “consumo”, no caso autonomia, seria um dos trunfos dele. Pois é, com o EV isso é mais do que possível. A marca aponta uma autonomia oficial de 526 quilômetros, o que já é bem generoso, mas ele vai além, bem além disso, graças à generosa bateria de 102kWh.
Com uma única carga, nós rodamos cerca de 505 quilômetros, no entanto, desses, quase 300 quilômetros foram de rodovia no trecho entre Brasília e Pirenópolis, em Goiás, ida e volta, com muitas mudanças de relevo e maior parte de trechos de pista de mão dupla, o que exige ultrapassagens, logo, um maior gasto de bateria. Assim, rodando apenas na cidade, é possível ter uma autonomia superior aos 600 quilômetros com certa facilidade.
Foram mais de 500 quilômetros, sendo 300 em rodovias, com uma carga
Para o carregamento, o SUV tem capacidade de até 22kW em pontos AC (raros de achar nesta potência, o mais comum é de 7kW) e de até 190kW em um DC (também difícil de achar, os mais usuais são os de de 60kW e já há alguns de 120kW). Como a bateria é grande, em um carregador de alta velocidade de 60kW, ele levará cerca de duas horas para ir do zero aos 100%. Mas de 20 a 80%, o tempo cai para cerca de 40 minutos.
E, como diversos modelos elétricos, ele conta com o “One Pedal”, mas que no SUV da gravata é um pouco diferente do usual. Nele, o sistema que otimiza a regeneração de energia para a bateria e freia o veículo apenas tirando o pé do acelerador, tem três níveis de calibração. Com tempo e prática, o motorista praticamente não usará mais o pedal do freio.
Na medida
Ele acelera bem, mas longe de ser exagerado na potência.
Toda a capacidade da bateria gera força para o motor de tração traseira, com números que fogem um pouco da sigla “RS”. O propulsor elétrico gera 347 cavalos e 44,8kgfm de torque. Aqui há uma certa controvérsia, o visual do Blazer aponta para um lado esportivo, mas o conjunto mecânico não responde exatamente desta forma.
Os números estão longe de serem ruins, mas há diversos elétricos bem mais potentes por aí, que superam com facilidade os 500 cavalos (e ainda são menos caros que o americano). Apesar de, ao volante, ele não ser um SUV de pegada esportiva, toda essa força garante uma condução até divertida e, principalmente, segura.
Chevrolet Blazer EV.
Mesmo pesando quase 2,5 toneladas, ele vai do zero aos 100km/h em 5,8 segundos. Este número reflete bem na aceleração, como a tração é traseira, basta pisar de leve no acelerador para sentir os quase 45 quilos de torque empurrando o utilitário, mas sem exageros também, ele acelera bem, mas de forma otimizada.
Antes de qualquer coisa, a direção do Blazer EV é bem segura. Ele realiza toda e qualquer manobra com extrema facilidade, de ultrapassagens e saídas a retomadas de velocidade, tudo é feito de forma fácil e até divertida. Os 347 cavalos surtem um bom efeito no SUV, são na medida. Não há preocupação de pisar no acelerador e ele sair de forma errada.
Os comandos de direção ficam na coluna do volante.
Além da boa tocada, por ser largo, ele também garante uma excelente estabilidade em curvas. Elas são feitas de uma forma que a carroceria não rola, com o volante sempre nas mãos do motorista, sem aparentar em momento algum qualquer possibilidade de perda da direção, mesmo em um modelo de tração traseira, que tende a deslizar mais.
Agora, mesmo sendo excelentes, a aceleração e a dirigibilidade não chegam perto da qualidade da suspensão. Ele é super confortável, seja na cidade, na estrada e até fora dela. O sistema deixa qualquer viagem confortável para todos os ocupantes e, simplesmente, não deixa ninguém na cabine perceber a quantidade de imperfeições no solo.
A opinião do Diário Motor
Chevrolet Blazer EV.
O Blazer EV não deixa de surpreender, e por todos os motivos, bons e ruins. O SUV grande elétrico esbanja espaço interno, tecnologia e uma autonomia para lá de generosa. Mas o preço é tão grande e exagerado quanto ele. Os mais de R$ 500 mil pedidos pela marca superam qualquer bom senso. Afinal, mesmo com todos estes predicados, ele é um modelo de uma marca generalista, longe do status de luxo de outras montadoras.
O problema é ainda pior quando vemos que o valor é superior ao de vários modelos luxuosos, certo que alguns menores, mas outros até mais potentes. E nem vamos citar os chineses. Aqui, temos dois lados da mesma moeda, se você está empenhado em gastar meio milhão em um veículo elétrico, o Blazer não decepcionará e será uma excelente compra. Agora, sendo mais racional, há opções que fazem mais sentido no mercado.
Ficha Técnica
Motor: elétrico
Potência máxima: 347cv
Torque máximo: 44,8kgfm
Autonomia: 526 quilômetros
Direção: elétrica
Suspensão: independente nos dois eixos
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: 436 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.650 x 1.982 x 4.884 x 3.094mm
Preço: R$ 503.190
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