O ex-ministro Ronaldo Costa Couto relata histórias saborosas no notável “Brasília Kubitscheck de Oliveira” (Record, RJ, 399 págs). Nos anos escuros do regime militar, Frei Mateus Rocha, antigo vice-reitor da Universidade de Brasília, procurou a escritora Vera Brant com uma carta de Darcy Ribeiro. Estava encantado com “a maravilha” postada do exílio chileno, “carta linda, erudita, inteligentíssima!” Frei Mateus suplicou: “A senhora poderia lê-la em voz alta?” Ela reagiu com simpatia: “Claro que posso. Mas pra quê?” Ele se entregou: “Já tentei várias vezes e não entendi nada…” Vera deu risada. Era uma das poucas pessoas que decifravam a caligrafia ininteligível de Darcy.

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