Prédio foi isolado

Minas Gerais

“Ele fala em matar, que o sangue vai escorrer da cabeça de todo mundo, que vai mandar todos para o inferno. Estamos desesperados", disse um funcionário
20/03/2019

Aluno ameaça metralhar UFMG depois de ser reprovado em sistema de cotas

Prédio foi isolado

Aluno ameaça metralhar UFMG depois de ser reprovado em sistema de cotas

“Ele fala em matar, que o sangue vai escorrer da cabeça de todo mundo, que vai mandar todos para o inferno. Estamos desesperados", disse um funcionário

O acesso à Universidade de Minas Gerais (UFMG) foi parcialmente bloqueado na tarde desta quarta-feira, 20, depois que um homem enviou e-mail ameaçando metralhar funcionários, professores e estudantes no campus em Belo Horizonte. As ameaças partiram supostamente de um aluno reprovado no sistema de cotas da UFMG. O grupo avalia o perfil de candidato que se inscreveu para ocupar a reserva de vagas que tem três modalidades: deficiência, socioeconômico e racial. A universidade informou que já identificou o IP da conexão de onde mensagens ameaçadoras foram enviadas e repassou a informação para a PF. Afirmou, ainda, que a rotina na UFMG não foi alterada. De acordo com uma fonte da UFMG, que preferiu o anonimato, o autor das ameaças enviou cinco e-mails. Nas mensagens, afirmava que iria invadir a sala onde estavam os integrantes da comissão e atiraria nas pessoas.  A informação circulou entre servidores, que ficaram amedrontados. “Ele fala em matar, que o sangue vai escorrer da cabeça de todo mundo, que vai mandar todos para o inferno. Estamos desesperados. O prédio fica aberto das 7h às 23h e muitos servidores não vieram trabalhar hoje”, conta um servidor, que pediu para não se identificar. Segundo ele, a reitoria estava com receio de acionar a Polícia Federal (PF) e criar um clima de pânico na universidade. Segundo ele, os acessos ao terceiro andar do CAD começaram a ser fechados por volta das 11h e a banca começou a trabalhar às 13h. Um servidor conta que foi embora mais cedo, na terça-feira, quando ficou sabendo das ameaças. Por meio de nota, a UFMG confirmou as ameaças e a investigação, embora não tenha confirmado a vinculação com a banca de cotas raciais. “A UFMG recebeu mensagens em tom ameaçador, enviadas a uma caixa de correio eletrônico institucional por um usuário anônimo, supostamente não aprovado para ingresso em alguma modalidade de reserva de vaga”, diz o texto. De acordo com o portal O Tempo, seguranças estariam no local, controlando o acesso ao terceiro andar, piso onde estão os participantes da banca que analisa recursos dos candidatos reprovados. UFRGS Além da ameaça à UFGM, uma suposta tentativa de ataque à UFRGS está sendo investigada pela Polícia Federal do Rio Grande Sul (PF-RGS). “A Universidade Federal Rio Grande do Sul, assim como algumas outras universidades brasileiras, recebeu informações de ameaça de atentado no Campus do Vale,  semelhante ao ocorrido em Suzano, SP. Diante disso, a Universidade acionou, preventivamente, o setor de segurança da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), polícias Federal e Civil e o setor de inteligência da Brigada Militar e, ainda, reforçou sua segurança interna. A UFRGS tomou essas medidas a fim de proporcionar a manutenção de todas atividades no local com segurança e tranquilidade”, diz nota da instituição. A assessoria de imprensa da PF disse que “está dando o devido tratamento à informação”, mas não informou que tipo de situação está sendo analisada.
16/03/2019

Moradores são retirados de área próxima a barragem da Vale em Minas

Risco de rompimento

Moradores são retirados de área próxima a barragem da Vale em Minas

Alerta é na região entre os municípios Santa Bárbara de Monte Verde e Rio Preto

A forte chuva que atingiu a cidade de Rio Preto, na Zona da Mata, em Minas Gerais, na noite dessa sexta-feira (15) provocou estragos na barragem da Usina Hidrelétrica Mello, que pertence à empresa mineradora Vale. Preventivamente, 29 pessoas que moram na área de influência da hidrelétrica tiveram que ser removidas de suas casas. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, a pequena central hidrelétrica (PCH) da Bacia do Rio Paraibuna é operada por uma empresa pertencente ao grupo Vale, que acionou o Plano de Ação de Emergência da barragem na manhã de hoje (16). Em nota, a Defesa Civil atribui à empresa a informação de que a chuva provocou uma infiltração de água na galeria de drenagem da barragem. Os moradores de Rio Preto que tiveram que deixar suas casas estão sendo levados para pousadas da região. Todo o processo é acompanhado pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Rio Preto, bem como pela coordenadoria estadual. Também em nota, a Vale confirmou o acionamento do plano de emergência devido à elevação do nível de água no reservatório da hidrelétrica. A mineradora informou que, desde novembro passado, a barragem passa por obras para ampliar a segurança das instalações. A companhia afirmou que presta assistência aos moradores de dez propriedades rurais, previamente mapeadas, que precisarem. De acordo com a Vale, algumas das 29 pessoas têm residências em áreas urbanas. “A Vale está monitorando a situação. A barragem e o nível de água encontram-se estáveis. Ainda não há previsão de retirada do alerta.” (ABr)
16/03/2019

Governadores do Sul e Sudeste anunciam apoio incondicional à reforma da Previdência

ES faz ressalvas

Governadores do Sul e Sudeste anunciam apoio incondicional à reforma da Previdência

Apoio incondicional dos governos do Sul e Sudeste fortalecem projeto

Seis governadores dos estados do Sul e do Sudeste do país anunciaram neste sábado (16) que irão trabalhar junto às bancadas no Congresso Nacional para congregar apoio incondicional à aprovação da reforma da previdência social de Jair Bolsonaro (PSL). “Nós apoiamos incondicionalmente o presidente Bolsonaro nessa missão de reformar a previdência. Somos da opinião de que, se não fizermos um esforço, se não tivermos essa posição de um certo sacrifício, nós estaremos condenando o Brasil a um crescimento medíocre da economia nos próximos anos”, disse o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O encontro aconteceu na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, e reuniu os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), não esteve presente por questões de agenda. “Isso tem que ser traduzido no Congresso Nacional, junto as bancadas na Câmara e no Senado, para que parlamentares possam debater, mas ter uma visão e uma posição favorável à reforma”, afirmou Doria. A única ressalva do grupo foi feita pelo governador do Espírito Santo. Para ele, “boa parte do que foi proposto” estaria dentro do que acredita que é preciso ser feito com o sistema, porém, alguns pontos necessitam ser aprofundados. “Eu sou favorável a uma reforma, tenho alguns pontos que destaco como necessidade de debate mais profundo, como a questão da capitalização, do benefício da prestação continuada, da aposentadoria rural. Estou debatendo com pessoas do meu governo e com pessoas do meu partido”, explicou Casagrande. Na quinta-feira (13) governadores do Nordeste se encontraram e criticaram a principal bandeira até o momento do governo Bolsonaro. Em bloco, os mandatários também se posicionaram contra a possibilidade de votação da PEC que prevê a desvinculação do Orçamento. Dos nove governadores nordestinos, apenas o de Alagoas, Renan Filho (MDB), que apresenta uma posição dúbia em relação ao governo Bolsonaro, faltou ao encontro. No seu lugar, participou o vice-governador alagoano, José Luciano Barbosa. CONSÓRCIO DO SUL E SUDESTE Depois da reunião, os governadores anunciaram ainda a criação de um consórcio entre os sete estados das duas regiões: o Cosud (Consórcio de Integração Sul Sudeste). O consórcio funcionará para compartilharem práticas e fazerem aquisições em conjunto, com dez áreas temáticas que vão de saúde e educação, a logística e desburocratização. Witzel avaliou o momento como “histórico” e disse que o bloco poderá viabilizar investimentos de infra-estrutura e descentralizar o poder de concessão de cada estado. “O que estamos fazendo aqui é integrando estados que tem identidade do ponto de vista sócio-econômico, matrizes econômicas que se integram e que, consequentemente, geram necessidade de pensarmos logística de forma integrada, segurança, para que possamos articular melhor esses esforços”, avaliou Eduardo Leite. O governador de Santa Catarina, um dos três governos do país comandados pelo PSL de Bolsonaro, disse esperar que o consórcio também ajude com a questão das disputas de incentivo fiscal. “Hoje, eles acabam promovendo uma guerra entre os estados. Entendo que as regiões juntas, falando a mesma linguagem, podem minimizar os impactos do déficit publico que os estados tem em razão da disputa fiscal entre si”, afirmou Moisés. A próxima reunião do grupo está agendada para o fim do abril em São Paulo, e deverá ter um tema específico, com a presença de secretários. O tema, porém, ainda não foi anunciado.  (FolhaPress)
16/03/2019

Quase um mês após acordo, Vale ainda não pagou moradores de Brumadinho

Descaso após destruição

Quase um mês após acordo, Vale ainda não pagou moradores de Brumadinho

Segundo o MP de Minas, a Vale tem demonstrado "evidente intuito protelatório"

Vinte e três dias depois de assinar um acordo se comprometendo a fazer pagamentos emergenciais a todos os moradores de Brumadinho (MG) e outras comunidades às margens do rio Paraopeba, a Vale ainda não fez nenhum depósito ou apresentou seu plano de ação. Os valores serviriam para resolver problemas imediatos enfrentados por famílias em decorrência do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro. Até o momento, a tragédia deixou 203 mortos e 105 desaparecidos. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais e outros órgãos do sistema de Justiça, a Vale tem demonstrado “evidente intuito protelatório”. Por decisão judicial, na sexta-feira (8), um dia depois de uma nova audiência, a mineradora recebeu documentos para cadastros das duas comunidades invadidas pela lama. Foram entregues cerca de 990 envelopes de moradores do Parque da Cachoeira e 226 do Córrego do Feijão. Cada um representa um núcleo familiar. Pelo acordo, durante um ano, cada adulto receberá um salário mínimo (R$ 998), adolescentes, metade do valor (R$ 499), e crianças, um quarto dele (R$ 249,50). “[Esse processo] tem sido desgastante para as pessoas, elas precisam de um prazo porque as contas estão vencendo. Nossa preocupação é que o acordo seja cumprido”, diz a defensora pública de Minas Gerais Carolina Morishita Mota Ferreira. Procurada pela reportagem, a Vale respondeu que irá “permitir o registro de pessoas para receberem pagamentos emergenciais previstos no acordo, incluindo a programação de atendimentos aos atingidos”. Não explicou como isso irá funcionar na prática. A mineradora diz ainda que o papel era reservado à Promotoria de Minas Gerais, o que os órgãos negam. “Quem tem que checar informações bancárias, se nome consta nas listas de moradores, ir atrás das pessoas é a Vale. Ficou definido assim desde o início”, afirma Morishita. De acordo com a ata da audiência do dia 7, representantes da Vale alegaram que haviam contratado uma empresa para fazer os cadastros, mas em virtude do grande número de pessoas, precisariam de 30 dias para apresentar a operacionalização. Atingidos têm pressa Para agilizar o processo, atingidos do Córrego do Feijão reuniram documentos no dia seguinte à assinatura do acordo. Mesmo depois de combinado com a Vale, quando foram realizar a entrega no dia 27 de fevereiro, não encontraram responsáveis para receber os papéis e viram o posto de atendimento fechado. Além de estar com o sogro Levi Gonçalves da Silva, 59, funcionário da Vale, entre os desaparecidos, a agricultora Juliana Cardoso, 37, conta que a família perdeu a renda, o modo de vida e está com a fatura do cartão de crédito prestes a vencer. Moradora do Feijão, ela costumava ganhar R$ 400 por semana vendendo verduras que plantava na horta de casa. Agora, o mercado tem medo que os produtos da região estejam contaminados e não os compra. O marido dela, que trabalha em outra mineradora próxima, que teve o acesso interditado após o rompimento, voltaria de férias no dia 2 de fevereiro. Como a empresa resolveu dar férias coletivas pelas dificuldades no local, ele acabou por receber R$ 100 no mês. “Nossa alimentação é muito natural, com coisas que a gente produz. Eles puseram a lama aqui e continuam impondo como a gente vai viver. O dinheiro não traz meu sogro de volta, a única coisa que a gente quer é continuar nossa vida, mas nem isso querem deixar”, diz Juliana. Outras comunidades A audiência também definiu que a Vale deverá pagar cestas básicas às famílias das duas comunidades por um ano, e que até o dia 4 de abril deverá apresentar um relatório para mostrar como os pagamentos estão sendo realizados. Moradores das comunidades de Jangada e Casa Branca também tentaram entregar documentos para cadastros, mas ficaram de fora. Segundo fontes de órgãos da Justiça e da comunidade, muitos moradores perderam emprego pela dificuldade de ir e vir. Ruth de Souza Amorim, 21, vive na Jangada e trabalha como recepcionista em uma clínica de ultrassonografia em Brumadinho e atendente em um restaurante de Casa Branca. Entre gasolina e passagens de ônibus, ela calcula ter gasto cerca de R$ 400 -quase um terço do salário- até a Vale disponibilizar transporte. Ela deixou de pagar contas e tem medo de perder o emprego de recepcionista, por conta dos atrasos e faltas. O restaurante, onde trabalha como diarista, já dispensou outros funcionários pela queda no movimento. “Minha mãe trabalha recebendo diárias e foi dispensada praticamente o mês passado inteiro. As despesas são mensais e as contas continuam chegando. Ficar nessa incerteza de trabalhar ou não está acabando com a gente”, diz. Durante a semana, procuradores, promotores e defensores públicos fizeram uma série de reuniões em comunidades atingidas para esclarecer como será o pagamento. Eles explicaram, por exemplo, que o valor a ser pago será contado a partir da data do rompimento, 25 de janeiro, e que não há prazo limite para a entrega dos documentos. (FolhaPress)