Vistas adiam votação de acordo Mercosul–UE no Parlasul

Votação foi adiada para a sessão de 24 de fevereiro, após o Carnaval; parlamentar destaca complexidade do texto de 4 mil páginas

O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE), integrante da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, pediu vista nesta terça-feira (10) da análise do relatório sobre o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Com isso, a votação foi adiada para a sessão de 24 de fevereiro, após o Carnaval.

Segundo Calheiros, o pedido tem como objetivo ampliar o debate e esclarecer os impactos do tratado, assinado em janeiro no Paraguai após 25 anos de negociações. O parlamentar destacou a complexidade do acordo, que reúne cerca de quatro mil páginas.

O relatório em análise é de autoria do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Durante a leitura parcial do texto, Chinaglia afirmou que a aprovação do acordo reflete a solidez do mercado brasileiro e a força produtiva do país. Ele também ressaltou que o Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos no tratado para defender seus interesses diante de eventuais medidas unilaterais consideradas injustas.

De acordo com o relator, o acordo reafirma o compromisso do Mercosul e da União Europeia com a democracia e representa uma escolha estratégica de integração em um cenário internacional marcado por incertezas. Caso o relatório seja aprovado no âmbito da representação parlamentar, o texto seguirá para deliberação da Câmara dos Deputados e, posteriormente, do Senado.

No cenário europeu, o acordo foi ratificado pelo Conselho da União Europeia em 9 de janeiro, após obter apoio mínimo de 15 dos 27 países do bloco, representando ao menos 65% da população. Itália votou a favor e garantiu a formação de maioria. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria se posicionaram contra. O tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu por maioria simples.

As negociações entre Mercosul e União Europeia tiveram início em 1999.

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