Veja o que levou Lulinha a ter pedida sua prisão pelo relator da CPMI

Filho do presidente Lula é listado entre 216 acusados de ligação com o roubo bilionário a aposentados e pensionistas

O relatório final da CPMI do INSS elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) inclui o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, na lista de 216 indiciados por crimes no roubo bilionário, apontando indícios de que o filho do presidente Lula (PT) teria envolvimento com os operadores centrais da organização criminosa que operou descontos fraudados. No documento que será votado nesta sexta-feira (27), o relator orienta a Advocacia do Senado a pedir a prisão preventiva de Lulinha, detalhando suas relações com figuras centrais da roubalheira covarde aos brasileiros mais vulneráveis acolhidos pela Previdência Social.

Trechos das 4,4 mil páginas do relatório citam, entre estes principais indícios apontados por Alfredo contra Lulinha, vinculações institucionais e políticas do filho de Lula com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, acusado de ser o principal operador financeiro da organização criminosa. Além da parceria com a lobista Roberta Moreira Luchsinger, amiga de Lulinha, como elo que efetivou sua entrada na parceria com o Careca do INSS.

“[Roberta foi] responsável por efetivar a entrada de Fábio Luís Lula da Silva na parceria conjunta com Antônio Carlos”, diz um trecho do relatório.

Alfredo aponta indícios de que Lulinha realizou uma viagem para Portugal, em novembro de 2024, com Careca do INSS. Fato que a própria defesa do filho do presidente Lula admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter ocorrido, para visitar uma fábrica de produtos de cannabis medicinal.

As suspeitas da CPMI relacionadas a este voo era de que Fábio Luís Lula da Silva teria viajado junto com Antônio Carlos Camilo Antunes, um dos principais envolvidos nas fraudes contra os aposentados investigadas nesta Comissão. Embora tenha sido barrada pela maioria do Plenário, posteriormente, a própria defesa de Fábio Luís admitiu, em petição direcionada ao STF, que ele teria viajado a península Ibérica acompanhado de Antônio Carlos”, relata Alfredo.

Lula e Fabio Luiz Lula da Silva, o “Lulinha” – Foto: Fábio Campanato/Agência Brasil.

O relator ainda apontar ligações com uma rede de lavagem de dinheiro e evasão de divisas do esquema, especificamente pela sua relação com um alvo da Operação Coffee-Break, Kalil Bittar, apontado como ex-sócio de Fábio Luís. Também é mencionado que a principal empresa operadora de propinas, Life Tecnologia, tem como contador João Muniz Leite, citado como associado profissionalmente a Fábio Luís e alvo de outras operações que apuram a lavagem de dinheiro.

“A rede também recebeu recursos de operadores financeiros investigados no âmbito da operação Coffee-Break, que teve como alvo KALIL BITTAR, tido como ex-sócio de FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA, e CARLA ARIANE TRINDADE, ex-nora do Presidente da República, LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA”, escreveu Alfredo, em seu relatório. 

Após apontar que o filho do presidente Lula deve ser indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência, Alfredo Gaspar aponta indícios que considera concretos de “evasão do distrito da culpa que comprometem a aplicação da lei penal. E cita a mudança de Lulinha para a Espanha, após a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal, em 23 de abril de 2025, para investigar o roubo no INSS.

“O indiciado deixou o território nacional com destino à Espanha, fato que compromete a incidência da lei penal e frustra a aplicação do ordenamento jurídico. Conforme apurado pela Polícia Federal e descrito no indiciamento que acompanha este Relatório, Fábio Luís Lula da Silva integrou a organização criminosa investigada e foi beneficiário de vantagens indevidas, entre as quais viagens custeadas por Roberta Luchsinger com recursos repassados por Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”), líder da organização, além de indícios de recebimento de valores pecuniários identificados pela própria autoridade policial.

A saída do país no momento preciso da deflagração da operação ostensiva, associada ao conjunto probatório descrito, configura fundado receio de que o indiciado busque subtrair-se à incidência da lei penal, preenchendo o pressuposto para a decretação da custódia cautelar”

Defesa vê motivo político

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, classificou o indiciamento do filho do presidente Lula como revelador de um “caráter eleitoral da atuação” do relator Alfredo Gaspar, que estaria atuando contra a reeleição do petista e favorável à eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.

A defesa de Lulinha disse ter recebido com indignação e perplexidade a sugestão de indiciamento de seu cliente, mas sem surpresa. “Porque isso revela, na verdade, a tentativa da oposição de forma de diversionista, pirotécnica, em um verdadeiro malabarismo para tirar atenção do que é fundamental, que é a discussão de um projeto alternativo para o país eles não têm”, reagiu o advogado.

Para Marco Aurélio Carvalho, não haveria “um único elemento nos autos que justifique ou fundamente a referida sugestão” de crimes atribuídos a Fábio Luis Lula da Silva.

“A recomendação de indiciamento só revela o caráter eleitoral da atuação do relator, e vulgariza a nobre função de fiscalizar delegada de forma atípica pela constituição federal ao parlamento brasileiro”, disse o advogado de Lulinha. “Se não fosse trágico, seria cômico. Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos investigados no bojo da CPMI do INSS. O vazamento criminoso de seu sigilo bancário é um elemento que confirma o que a defesa desde o início vem dizendo”, completou.

 

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