Toffoli teria gravado reunião que resultou em seu afastamento do caso Master
A suspeita é que gravaram a reunião de forma clandestina

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) relatam descontentamento sob a suspeita de que a reunião a portas fechadas que resultou no afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do Caso Master tenha sido gravada.
A suspeita é que gravaram a reunião de forma clandestina. As informações foram reveladas pelo Poder360.
A reunião foi realizada na noite desta quinta-feira (12), com os 10 ministros do STF presentes. Em votação, oito deles votaram a favor de que o magistrado continuasse à frente da relatoria do processo. Outros dois ministros votaram contra e preferiram seu afastamento.
- Votos a favor de Toffoli: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques (além do próprio ministro Dias Toffoli).
- Votos contra: Cármen Lúcia e o presidente Edson Fachin.
O que estava em questão para a Corte era o documento de 200 páginas feito pela Polícia Federal (PF) e enviado a Fachin. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o material justificaria a suspeição de Toffoli após a descoberta de conversas do mesmo com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Após a reunião, os ministrso publicaram um nota em apoio a Dias Toffoli e em troca ele deixaria a realotia do caso para ser redistrubuido – agora o novo relator é André Mendonça.
Coversas vazadas
Em falas destacadas, a ministra Cármen Lúcia afirmou que estaria disposta a “sacrificar” Toffoli para o que ela achava ser o suficiente para recuperar a imagem do Judiciário.
“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo.” A população está contra o Supremo”, ela disse que tinha confiança em Toffoli, mas precisava “pensar na institucionalidade”.
O ministro Luiz Fux falou que “o ministro Toffoli, para mim, tem fé pública.” Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”.
O ministro Alexandre de Moraes fez críticas à atuação da PF em investigar um ministro do STF, sendo ele ilegal, segundo ele. Moraes afirmou ser “amigo” de Andrei Rodrigues, mas que votaria a favor de Toffoli. Segundo ele, o ato de defesa para Toffoli se iguala à defesa da “institucionalidade”, e que a PF fez um papel sujo na investigação contra o ministro.
Nunes Marques afirmou que não caberia uma suspeição a Toffoli no caso. “Para mim, isso é um nada jurídico”. O mesmo disse ter lido o relatório da PF e afirmou não ter visto nada que justificasse a “suspeição ou impedimento do ministro Toffoli”.
Ainda em sua fala, Nunes Marques discordou da proposta de Cármen Lúcia sobre a arguição de suspeição, sendo considerada “incabível” a Corte.
“Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O sr. [Fachin] não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”, disse.
André Mendonça, agora relator do caso, reafirmou a fala de Cármen Lúcia a respeito de haver uma “crise institucional” na Corte. Ele afirmou que leu o relatório da PF e destacou ser falsa a relação de amizade entre Toffoli e Vorcaro.
“Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli” e Vorcaro. “Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”.
Mendonça também citou as participações em eventos bancados pelo Banco Master em que Toffoli esteve presente. O ministro disse que “A questão de eventos for considerada, todos nós somos suspeitos de tudo”.
E terminou com “Pode acontecer com qualquer um de nós [a investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim. E encerro aqui.”
Cristiano Zanin abriu dizendo que pretendia votar a favor da permanência de Toffoli como relator. “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo”.
O ministro Flávio Dino começou dizendo que concordava “com tudo o que foi dito”. Mas foi logo foi se entendendo. “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.