PCC ordenou execução de ex-chefe da Polícia Civil, aponta denúncia
Gaeco afirma que assassinato de Ruy Ferraz Fontes foi vingança do alto comando da facção, que planejava a morte do delegado desde 2019

O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes foi assassinado por ordem do alto comando do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo denúncia apresentada nesta sexta-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo.
Relatórios policiais já indicavam que a cúpula do PCC havia determinado a morte de Ruy desde 2019, quando foi apreendida uma carta manuscrita em que líderes cobravam a execução de agentes públicos, incluindo o delegado. O documento citava responsáveis pela “missão” e apoio operacional.
Segundo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a denúncia aponta planejamento minucioso, com vigilância da rotina da vítima, bases de apoio em Praia Grande, Mongaguá e São Paulo, desligamento de câmeras, uso de armas de alto calibre e carros de fuga. Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, o Pan ou Penelope Charmosa, é descrito como articulador central e membro do PCC com função de disciplina no Grajaú.
O MP denunciou oito suspeitos por organização criminosa armada, homicídio qualificado consumado e tentado, porte de arma de uso restrito e favorecimento pessoal:
- Felipe Avelino da Silva (Mascherano);
- Flávio Henrique Ferreira de Souza (Beicinho ou Neno);
- Luiz Antonio Rodrigues de Miranda (Gão ou Vini);
- Dahesly Oliveira Pires;
- Willian Silva Marques;
- Paulo Henrique Caetano de Sales (13 ou PH);
- Cristiano Alves da Silva (Cris Brown);
- Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Pan, Fiel ou Penelope Charmosa).
A primeira linha de investigação, que relacionava o homicídio ao trabalho de Ruy como secretário municipal em Praia Grande, foi descartada.
Para o MP, a motivação foi “torpe”, ligada à resistência do delegado ao “estado paralelo imposto pelo PCC”. O ataque ocorreu em via pública, colocando outras pessoas em risco.
A Promotoria segue investigando outros possíveis envolvidos e aguarda a decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.