Rui Costa se despede da Casa Civil e passa cargo de ministro para Miriam Belchior

Mudança na cúpula do governo ocorre em meio ao aumento da reprovação da gestão petista em pesquisas recentes

O governo federal oficializou, nesta quinta-feira (2), uma troca no comando da Casa Civil. Após um período de três anos à frente da pasta, Rui Costa (PT) deixa o cargo, transferindo a titularidade para Miriam Belchior, que até então desempenhava a função de secretária-executiva do órgão. O anúncio da transição ocorreu em Salvador, durante uma agenda oficial ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A despedida de Costa foi selada durante a inauguração de intervenções de contenção de encostas e mobilidade urbana na capital baiana. Na ocasião, o agora ex-ministro destacou que aquele representava seu “último ato como ministro” e antecipou o rito burocrático da saída: “Quando terminar o dia, o presidente assina a minha exoneração”, disse.

Em seu discurso, o presidente Lula buscou blindar a trajetória do aliado, reconhecendo a natureza espinhosa das atribuições da pasta. O mandatário ponderou que “nem sempre o papel da Casa Civil é o papel da simpatia. A maioria dos ministros que vão conversar na Casa Civil sai e vai reclamar comigo que não foi bem tratada”, disse o presidente.

Apesar das tensões inerentes à função, Lula reforçou a eficiência da gestão que se encerra, afirmando que “nós nunca tivemos a Casa Civil funcionando com a capacidade de apresentar soluções como agora.”

A saída de Rui Costa, contudo, é marcada por episódios de fricção com outros integrantes da administração. Na última terça-feira (31), em reunião ministerial, Costa confrontou abertamente o chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, questionando a eficácia da divulgação das ações governamentais.

“Minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso [das entregas realizadas pelo governo]. Temos de colocar como foco comparar”, afirmou Costa na ocasião. A interpelação, repetida diversas vezes, causou visível constrangimento a Palmeira, que buscou se defender apresentando métricas de divulgação. Esse tensionamento interno ocorre em um momento sensível para o Planalto: o levantamento mais recente do Datafolha apontou um pico de 46% na desaprovação da gestão de Lula, o índice mais alto registrado no ano.

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