Operação na ALERJ investiga deputado por proteger bens de facção criminosa

Força-tarefa apreende mais de trezentos mil reais em dinheiro vivo após descobrir blindagem política para o resort de chefe do tráfico

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI), e a Polícia Civil deflagraram uma operação que apura a infiltração e a interferência de agentes públicos em favor do Terceiro Comando Puro (TCP), organização criminosa atuante no tráfico de drogas.

Entre os alvos principais da ação está o deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, conhecido como Val Ceasa (PRD), que teve mandados de busca e apreensão cumpridos em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e em suas residências.

A investigação aponta que os investigados teriam atuado diretamente para proteger o patrimônio de lideranças da facção.

De acordo com as apurações criminais, os parlamentares e assessores buscaram obter informações sigilosas junto à Polícia Militar para obstruir e adiar uma operação oficial planejada para demolir imóveis irregulares construídos pelo grupo criminoso em Parada de Lucas, na Zona Norte da capital fluminense, região conhecida como Complexo de Israel. Entre as estruturas protegidas estaria o chamado “Resort Green”, pertencente ao chefe do tráfico na localidade, Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”.

Para tentar paralisar a demolição promovida pelas forças de segurança, os suspeitos teriam utilizado a influência de seus cargos públicos sob o argumento de que as construções eram destinadas a projetos e serviços de assistência social.

Contudo, os órgãos de investigação constataram que a justificativa não correspondia à realidade e mascarava a defesa dos bens da facção narcotraficante, o que resultou no adiamento temporário da ação policial na época.

Durante as buscas realizadas nos endereços vinculados a Val Ceasa, os agentes da força-tarefa apreenderam um total de R$316 mil em dinheiro vivo, sendo R$166 mil encontrados em sua residência oficial e cerca de R$150 mil em outros imóveis de sua propriedade.

No total, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro expediu 14 mandados de busca e apreensão, que também miraram o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.

Em pronunciamento na Alerj após a deflagração da operação, o deputado Val Ceasa rechaçou as acusações e declarou-se vítima de perseguição política.

O parlamentar afirmou que mantém uma rotina de trabalho contínua voltada ao atendimento da população carente do Rio de Janeiro e manifestou convicção de que sua inocência será atestada pela Justiça.

A Mesa Diretora da Alerj informou, em nota oficial, que acompanha os desdobramentos institucionais e permanece à disposição das autoridades policiais e do Ministério Público para colaborar integralmente com o andamento do processo.

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