Número de mortos passa de 100 em megaoperação do Rio
Corpos foram colocados na Praça São Lucas, na Penha; as mortes ainda não constam na contagem oficial

Nesta quarta-feira (29), foram expostos na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, mais de 60 corpos após confronto com as forças policiais após a megaoperação realizada no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). Ao todo, os números passam de 132 mortos, conforme a Defensoria Pública (RJ).
O corpo foi levado entre a noite de ontem e a madrugada de hoje para a praça e ainda não consta na contagem oficial de 64 mortos confirmados pelo governo do Rio de Janeiro, publicada ontem. O comandante da Polícia Militar do Rio, Marcelo de Menezes Nogueira, confirmou que os corpos ainda não constam na contagem. Ele também afirmou que não é possível decretar que os corpos são vítimas da megaoperação.
Os corpos foram retirados de uma zona de mata e levados para a praça pelos próprios moradores. Logo no início da manhã, 54 copos foram colocados na praça, e, horas depois, uma caminhonete com mais corpos chegou ao local. Além do registro na praça, outros seis monstros foram deixados no hospital Getúlio Vargas durante a madrugada. O local também recebeu feridos, mas sem atualizações até o momento.
A retirada de corpos da praça foi feita por rabecões da Defesa Civil, dirigidos por bombeiros militares. Pessoas no local informam que os mortos estão com sinais de facadas e tiros.
O Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro (IML) foi fechado para receber somente as vítimas desta quarta-feira (29). Tudo indica que, ao fim da tarde, os corpos serão identificados para ver se há vítimas inocentes.
Megaoperação no Rio
A Operação Contenção, realizada nesta terça-feira (28) se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro, totalizando 132 mortos, diz a Defensoria Pública do Rio. O saldo final incluiu 60 suspeitos de crimes e 4 policiais mortos (dois policiais civis e dois policiais militares do Bope).
Além das fatalidades, 81 pessoas foram presas, incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo “Doca” ou “Urso”.
A operação resultou na retenção de 93 fuzis, um número que superou os balanços mensais de apreensão dessa arma em quase todos os meses do ano, ficando próximo do recorde histórico.