Novo catálogo aponta no Brasil 149 cursos superiores de tecnologia
Nova lista acaba de ser atualizada e ganha versão on-line e interativa

O Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia (CNCST) acaba de ser atualizado. O documento é regulador e referência para oferta de cursos e para a seleção de profissionais no mundo do trabalho.
As instituições de ensino superior, públicas e privadas, só podem ofertar cursos tecnológicos que estejam no catálogo. Ele também orienta os estudantes para a escolha da profissão.
A atualização do Catálogo foi resultado de uma ampla participação de professores, estudantes, entidades representativas dos trabalhadores e do segmento patronal. O novo guia conta com 149 cursos, 15 a mais do que o anterior, e agora ganhou uma versão digital e interativa no site do Ministério da Educação (MEC).
Mais de 250 pessoas se debruçaram diretamente sobre o tema para levantar todas as opções ofertadas por instituições de ensino do país, analisar currículos, carga horária, a demanda, o perfil do aluno, a área de atuação do profissional formado, por exemplo.
A professora Rejane Maria de Araújo, coordenadora administrativa do projeto, acrescenta que outras cerca de 4 mil pessoas contribuíram por meio das consultas públicas com participação de todos os cantos do país. “As propostas vão desde aumento ou redução de carga horária, se a oferta deve ser presencial, on-line ou mista, inclusão, exclusão de conteúdo e mudança de nomes de cursos”, cita Rejane.
Diálogo entre teoria e prática
Todo o processo de revisão do catálogo envolveu três atores com papéis bem definidos. Ao Ministério da Educação coube regulamentar, coordenar as demandas e manter o catálogo atualizado. A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) assumiu a missão de fazer a gestão financeira do projeto.
Já o Instituto Federal de Brasília (IFB) se debruçou nos estudos para desenvolver o método de atualização; promover o diálogo com diferentes setores da sociedade civil e da academia, analisar a viabilidade pedagógica e com olhar atento às novas demandas do mundo do trabalho e às leis que regulamentam as profissões.
Coordenador educacional do projeto de atualização do catálogo, o professor Wilson Conciani, reitor do Instituto Federal de Brasília (IFB) entre 2011 e 2019, esclarece que a atualização da oferta de cursos técnicos superiores é essencial para as instituições de ensino, para o setor produtivo e para os estudantes, promovendo o encontro entre a qualificação da mão de obra à realidade do mundo do trabalho.
O catálogo tem caráter regulatório. Por isso, ressalta Conciani, a instituição só pode ofertar o que está lá. E como todos os setores foram ouvidos, a formação técnica vai ao encontro das necessidades e transformações do mundo do trabalho. “Em 2005 havia aproximadamente 5 mil títulos de cursos superiores de tecnologia. Quando fomos olhar, eram, na verdade, cerca de 100. Tinha cursos de gestão de pessoas, de recursos humanos, de capital humano e, na prática, era tudo a mesma coisa. Como cada escola era livre para fazer o que queria, não tínhamos uma convergência. Nesta versão, encontramos 35 cursos com o mesmo perfil e nomes diferentes e também fizemos a convergência”, explica
Do ponto de vista do mundo do trabalho e de quem busca uma qualificação ou uma vaga, o catálogo também funciona como um guia, tanto para o patrão, quanto para o trabalhador, diz Conciani. “O empresário, ao fazer a seleção, terá informações sobre qual perfil de profissional pode buscar. O aluno terá informações sobre se a atividade que busca será desempenhada em escritório ou canteiro de obras; se vai ser cobrada habilidade de desenho ou de exatas, qual é o salário da profissão e quais instituições de ensino ofertam o curso, por exemplo. E assim, conseguirá analisar com mais segurança se tem ou não o perfil para aquela área de atuação”, detalha Conciani.
Após um ano e meio de trabalho, o novo Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia passa a ter 13 eixos tecnológicos; com 28 novos cursos, a exclusão de 13 e a troca de nome de três deles. “O MEC disponibilizou cerca de R$ 900 mil para pagamento de bolsistas, professores e consultores. Estamos no processo final de prestação de contas, mas já podemos dizer que conseguimos economizar um pouquinho porque, em função da pandemia, não pudemos realizar algumas atividades presenciais que havíamos planejado”, adianta Rejane.
Para Rejane, fica o sentimento de orgulho e dever cumprido por considerar que a atualização do catálogo é essencial para a sociedade como um todo. “É um documento que promove a transparência sobre o que está sendo ofertado e quem pode ofertar o curso. É um instrumento para o aluno saber se o curso realmente existe e se está dentro dos parâmetros exigidos pelo MEC”, ressalta.