MPF investiga suposta fraude de R$ 5,7 bilhões envolvendo o Banco Master

Ministério Público Federal aponta uso de fundos de investimento e "laranjas" para mascarar movimentações atípicas

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo deflagrou uma operação de busca e apreensão para investigar um esquema de fraude financeira no Banco Master que pode ter desviado cerca de R$ 5,7 bilhões.

A decisão, fundamentada em um inquérito de 2025 e divulgada pelo portal UOl, indica que a instituição financeira teria direcionado quantias expressivas de recursos obtidos via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para fundos de investimento dos quais o próprio banco era o único cotista.

De acordo com a investigação, esses fundos foram utilizados para adquirir títulos de empresas que possuíam vínculos societários ou laços pessoais com os donos do banco. Um dos pontos centrais do suposto esquema envolve a Clínica Mais Médicos e o Hospital da Criança de São José, localizados em Contagem (MG).

O MPF destaca que a clínica emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais sem oferecer garantias, apesar de possuir capital social zero. A discrepância financeira é acentuada pelo fato de a dívida acumulada ser 6,5 mil vezes superior à receita bruta anual da empresa, que somou apenas R$ 54 mil em 2023.

A presidente da clínica, Valdenice Pantaleão, também foi alvo das medidas judiciais. O MPF sustenta que ela atuava como uma “laranja”, uma vez que, embora presidisse uma entidade que movimentou milhões, não possuía patrimônio declarado e foi beneficiária de auxílio emergencial durante a pandemia.

Segundo os procuradores, “apesar de presidir uma sociedade que captou milhões, (Valdenice) não possui patrimônio e foi beneficiária de auxílio emergencial em 2020 e 2021, o que demonstra que na realidade figurava como interposta pessoa (‘laranja’)”.

A rede de conexões se estende a Fernando Alves Vieira, que recebeu uma procuração de Valdenice e possui parentesco com sócios do Banco Master. Além do hospital ter emitido R$ 372 milhões em notas adquiridas pelo banco, outras entidades como a Holding AF S.A. e a Simetria Planos de Saúde seguiram o mesmo padrão operacional. Para os investigadores, os valores movimentados sugerem “uma alavancagem manifestamente incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica”.

A operação também identificou um repasse de R$ 9 milhões para Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, o que reforçaria os indícios de desvio de capital. Diante do volume das transações consideradas suspeitas, o MPF solicitou o bloqueio judicial de R$ 5,7 bilhões.

Em resposta, a defesa de Henrique Vorcaro declarou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e permanece pronto para prestar quaisquer esclarecimentos. Já os advogados de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, informaram que ele está “à inteira disposição das autoridades” e asseguraram que suas atividades profissionais são “lícitas”, não possuindo relação com a administração do Banco Master.

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