Metanol em bebida clandestina mata trabalhador de 22 anos após dez meses
Trabalhador sofreu sequelas gravíssimas após consumir produto falsificado adquirido em uma adega de bairro

O sepultamento do jovem Guilherme Torres da Silva, de 22 anos, realizado na cidade de Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, expõe de forma trágica os efeitos devastadores do mercado informal e do comércio de produtos falsificados.
O rapaz faleceu após passar quase dez meses internado e enfrentando sequelas gravíssimas decorrentes de uma severa intoxicação por metanol, substância química altamente tóxica utilizada clandestinamente na adulteração de bebidas alcoólicas.
O calvário do jovem trabalhador começou em agosto de 2025, quando ele adquiriu uma garrafa de gin em uma adega comercial de seu bairro.
Logo após a ingestão do produto de procedência ilegal, Guilherme manifestou os primeiros sintomas clássicos da contaminação por metanol, incluindo visão turva e embaçada.
O quadro clínico evoluiu rapidamente para uma emergência médica, resultando em múltiplas paradas cardíacas e na necessidade de intubação imediata no Hospital Municipal M’Boi Mirim, na zona sul da capital paulista.
Exames laboratoriais posteriores confirmaram a presença alarmante de 155 miligramas de metanol por litro de sangue em seu organismo.
Durante quase um ano, a rotina do jovem (que trabalhava como motoboy, havia conquistado sua própria motocicleta pelo fruto do seu esforço e era pai de uma criança de dois anos) foi substituída por uma batalha diária pela sobrevivência conduzida por seus familiares.
Guilherme perdeu a capacidade de andar, passou a se alimentar exclusivamente por meio de sondas e dependia da administração diária de mais de dez medicamentos.
A família chegou a criar páginas nas redes sociais para registrar o tratamento e realizar campanhas de arrecadação financeira com o intuito de adaptar a residência e custear insumos médicos básicos para sua manutenção.
O caso de Guilherme soma-se a um cenário de segurança pública e vigilância sanitária que mobiliza as forças policiais do estado.
Dezenas de ocorrências semelhantes de intoxicação por metanol estão sob investigação ativa pelas autoridades paulistas.
O governo estadual reportou que as operações de fiscalização e combate ao comércio clandestino de bebidas falsificadas já resultaram na apreensão de mais de 21,4 mil garrafas de produtos adulterados, além do confisco de 121,8 mil vasilhames vazios, 105,2 mil insumos químicos e 480 mil rótulos falsificados utilizados por redes criminosas de falsificação.
A Autarquia Municipal de Saúde de Itapecerica da Serra informou que prestou o suporte clínico especializado ao paciente dentro dos protocolos vigentes.
Paralelamente, órgãos competentes realizam análises técnicas adicionais para concluir o vínculo oficial do óbito com o surto de contaminações iniciado no ano anterior, enquanto a Polícia Civil mantém as frentes de investigação para identificar e punir os responsáveis pela distribuição e venda do lote letal.