Megaoperação golpeia império de bets ilegais que movimentou R$53 bilhões

Esquema clandestino usou prefeitura do Nordeste para camuflar fraudes e lavar dinheiro à margem do Estado

Uma ação conjunta realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e pela Receita Federal resultou na deflagração da Operação Conto da Sorte.

A ofensiva visa desestruturar uma organização criminosa que utilizava plataformas de apostas online de quota fixa (as chamadas “bets”) e jogos de azar de forma totalmente irregular no ambiente digital.

De acordo com os órgãos de controle, o montante financeiro movimentado pelo esquema atinge a soma de R$50 bilhões.

A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão direcionados a sete pessoas físicas e seis empresas.

As ordens judiciais, expedidas pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos (RN), foram executadas simultaneamente em municípios estratégicos das regiões Nordeste e Sudeste: Recife, Caruaru e Toritama, em Pernambuco; Fortaleza, no Ceará; além da capital paulista e da cidade de Iguape, no estado de São Paulo.

A Justiça determinou ainda o bloqueio e o sequestro de bens e valores de até R$145 milhões para garantir o ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos.

O foco central do trabalho fiscal e policial recai sobre a atuação de 37 empresas que operavam no mercado de apostas à margem da legislação federal, funcionando sem a devida autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

O escopo das investigações aponta para a prática de crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, induzimento à especulação, exploração de jogos de azar e loterias sem autorização oficial, além de infrações graves contra as relações de consumo.

As apurações apontam que o grupo utilizava a estrutura da “Lotseridó”, um serviço lotérico inicialmente criado pela Prefeitura de Bodó (município do interior do Rio Grande do Norte), como um artifício para conferir aparência de legalidade a dezenas de plataformas de apostas espalhadas por todo o território nacional.

Dados fornecidos pela própria municipalidade indicam que o sistema arrecadou cerca de R$415 milhões em um intervalo de apenas dez meses de operação.

A Lotseridó teve suas atividades formalmente encerradas no final de 2025, mas o fluxo financeiro de origem suspeita continuou a se ramificar por outras vias econômicas.

De acordo com o mapeamento feito pelo setor de inteligência da Receita Federal, apenas uma das empresas envolvidas no esquema registrou créditos financeiros que somaram R$4,6 bilhões em um único ano.

O cruzamento de dados identificou que a organização utilizava uma rede integrada de intermediadores de pagamento e contas pulverizadas para movimentar os recursos bilionários gerados pelas apostas digitais, burlando os mecanismos de fiscalização e omitindo os reais beneficiários dos lucros gerados pela atividade clandestina.

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