Mais de 6 milhões de jovens estão fora da escola e do mercado de trabalho no Brasil
Levantamento aponta que 6,2 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos não estudam nem trabalham; número voltou a crescer em 2026

O Brasil registra atualmente cerca de 6,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos que não estudam nem trabalham, grupo popularmente conhecido como “nem-nem”.
O contingente corresponde a 18,7% da população nessa faixa etária e voltou a crescer no início de 2026, após uma trajetória de queda observada nos últimos anos.
Apesar do aumento recente, os números permanecem abaixo dos patamares registrados anteriormente.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que o país reduziu significativamente a quantidade de jovens nessa condição ao longo dos últimos anos.
Em 2019, o grupo era estimado em cerca de 11,9 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos.
Em 2025, esse total havia recuado para aproximadamente 8,2 milhões, representando uma redução de 3,7 milhões de jovens fora da educação e do mercado de trabalho.
Os levantamentos indicam que a situação afeta principalmente jovens em fase de transição para a vida profissional.
As maiores dificuldades são observadas entre aqueles que enfrentam obstáculos para ingressar no primeiro emprego ou concluir a formação educacional.
Entre os jovens de 14 a 17 anos, a taxa de desemprego permanece bastante superior à média nacional, enquanto a faixa de 18 a 24 anos também apresenta índices elevados de desocupação.
Outro dado relevante é que a maior parte desses jovens já possui escolaridade básica concluída.
Segundo os números divulgados neste ano, cerca de 73% têm pelo menos o ensino médio completo.
Além disso, milhões de brasileiros nessa faixa etária seguem matriculados no ensino superior, demonstrando que a formação educacional continua sendo um dos principais caminhos para a inserção no mercado de trabalho.
A redução do contingente de “nem-nem” observada nos últimos anos ocorreu paralelamente ao aumento da participação em cursos de qualificação profissional.
Em 2025, aproximadamente 24,8 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais haviam frequentado algum tipo de curso profissionalizante, segundo dados do IBGE.
O acesso a esse tipo de formação cresce conforme o nível de escolaridade da população.
Mesmo com a melhora observada em relação aos anos anteriores, o número de jovens afastados simultaneamente dos estudos e do trabalho continua elevado.
O contingente atual supera a população total de diversos estados brasileiros e permanece como um dos principais desafios sociais e econômicos do país, especialmente em um cenário em que empresas relatam dificuldades para encontrar mão de obra qualificada em diversos setores da economia.
Os dados mais recentes mostram que o mercado de trabalho brasileiro segue apresentando níveis historicamente baixos de desemprego, com taxa de 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026.
Ainda assim, milhões de jovens permanecem fora das salas de aula e do mercado formal, evidenciando que a recuperação dos indicadores gerais de emprego não alcança todos os segmentos da população na mesma intensidade.