Lula diz à ONU que Bolsonaro punido alerta autocratas, e critica Eduardo
Presidente afirma que rival foi condenado com direito à defesa por atacar democracia no Brasil, que resiste sob ataque dos EUA

Em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na manhã desta terça-feira, em Nova York, o presidente Lula (PT) considerou que a condenação de seu rival e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes em “trama golpista” seria um alerta a autocratas que tentam subjugar instituições e sufocar liberdades, no Brasil e no mundo.
Sem citar nomes, o petista lembrou dos esforços do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em articular sanções dos Estados Unidos contra autoridades e produtos brasileiros, ao afirmar que o Brasil decidiu resistir a “um ataque sem precedentes” de Donald Trump, para condenar Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal (STF), em “um processo minucioso”, com “amplo direito de defesa” que “ditaduras negam”.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: ‘nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis’. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”, disse Lula.
O presidente do Brasil ainda reclamou de “falsos patriotas”, ao considerou “inaceitável” a busca de brasileiros por sanções de Trump, visando agredir a independência do Poder Judiciário brasileiro, pressionando abertamente pelo arquivamento da ação penal contra Bolsonaro.
O ex-presidente acabou condenado pela maioria da Primeira Turma do STF a mais de 27 anos de prisão, no último dia 11 deste mês de setembro. E Lula reformou sua crítica à demanda da oposição por uma anistia que anule condenações de Bolsonaro e seus aliados atingidos por sentenças do Supremo, que são tratadas como “perseguição política” por Trump.
“Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, defendeu o petista.
Crise no multilateralismo e erosão democrática
Lula relacionou como evidente a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia mundo afora. Por considerar que o autoritarismo se fortalece quando chefes de nações ali reunidos se omitem diante de arbitrariedades.
“Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias”, considerou o presidente brasileiro.
Para o petista, há consequências trágicas, quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito. Lula expôs que forças antidemocráticas cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.
“Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia”, disse Lula.