Gilmar blinda o ‘Gilmarpalooza’ e ignora escândalo do Banco Master
Mesmo com a cúpula do Judiciário sob a sombra de investigações da PF, decano do STF banca o megatour de autoridades brasileiras na Europa

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), rechaçou publicamente a tese de que os recentes desdobramentos e investigações envolvendo o Banco Master possam esvaziar ou prejudicar a realização da 14ª edição do Fórum Jurídico de Lisboa.
O evento europeu, amplamente conhecido nos bastidores políticos de Brasília pelo apelido de “Gilmarpalooza”, está agendado para ocorrer entre os dias 1º e 3 de junho de 2026, nas dependências da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal.
A declaração do magistrado ocorreu após sua participação em um seminário em Brasília.
Questionado sobre os potenciais reflexos do escândalo financeiro na adesão de autoridades e congressistas ao fórum, Gilmar Mendes afirmou de forma categórica que não foi detectado nenhum impacto no planejamento institucional.
Segundo o ministro, há tentativas de associar episódios externos distintos (como discussões sobre o Código de Ética e o caso do Banco Master) à organização e à imagem do encontro em Portugal.
O escândalo em questão ganhou contornos de crise institucional após virem a público detalhes sobre as relações estreitas de integrantes da Suprema Corte com o comando do banco e com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os fatos sob apuração da Polícia Federal e do Judiciário constam contratos milionários envolvendo familiares de magistrados, transações imobiliárias e caronas em jatos privados.
A despeito do desgaste público gerado pelas investigações, Gilmar Mendes sustentou em manifestações recentes que o problema central do caso reside em um suposto “déficit de regulação” do sistema financeiro, e não no edifício do STF na Praça dos Três Poderes.
Defendendo o caráter estritamente acadêmico da programação deste ano, o decano destacou que o fórum debaterá temas centrais como tecnologia, soberania e a nova ordem internacional.
A organização confirmou a presença de mais de 470 palestrantes, incluindo três ex-chefes de Estado (entre eles o ex-presidente brasileiro Michel Temer), além de nomes internacionais como o economista Joel Mokyr, agraciado com o Prêmio Nobel de Economia de 2025, e o jornalista norte-americano Thomas Friedman.
A comitiva de autoridades brasileiras que planeja cruzar o Atlântico para o evento permanece robusta.
Estão confirmadas as presenças dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino, além do ministro aposentado Luís Roberto Barroso.
A estrutura do encontro contará ainda com a participação de 13 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), 3 governadores de estado e 23 integrantes do Congresso Nacional, consolidando a manutenção do fórum como o principal ponto de encontro da cúpula do poder brasileiro no exterior.