Gestão e parceria privada fazem DF bater recorde com 56 mil cirurgias
Descentralização e menos burocracia zeram filas e supera marcas

O Distrito Federal registrou um marco histórico em sua saúde pública ao ultrapassar a marca de 56 mil cirurgias realizadas no período de um ano.
O resultado supera expressivamente o recorde anterior da rede pública local, obtido em 2019, quando haviam sido contabilizados 46 mil procedimentos.
A mudança de patamar decorre diretamente de um redirecionamento estratégico focado na eficiência administrativa, na otimização de fluxos internos e, notadamente, na integração com a iniciativa privada para desatar os nós da burocracia estatal.
O motor central dessa guinada no atendimento foi o programa Opera DF.
A estratégia baseia-se em um modelo de gestão que descentraliza o atendimento, direcionando intervenções cirúrgicas de menor complexidade para hospitais particulares parceiros contratados pelo poder público.
Essa medida desonerou os hospitais da rede própria da Secretaria de Saúde, liberando a infraestrutura estatal e as equipes médicas para a concentração de esforços em cirurgias de alta complexidade.
Os reflexos práticos dessa abordagem gerencial na ponta da linha foram a redução abrupta no tempo de espera por procedimentos que antes se arrastavam por anos.
No caso das cirurgias de varizes, o tempo médio de espera, que ultrapassava a marca de mil dias, caiu para apenas nove dias.
Já a fila para cirurgias de hérnia, cujo tempo de aguardo superava dois anos, foi significativamente reduzida para uma média de 50 dias.
Além do convênio com leitos e estruturas privadas, o governo local atacou o déficit de pessoal técnico por meio da contratação direta de 5 mil horas de plantões de serviços de anestesiologia.
Esse aporte focado em produtividade viabilizou o funcionamento contínuo das salas cirúrgicas nos hospitais públicos durante os três turnos, atendendo tanto o público adulto quanto o pediátrico de forma ininterrupta.
Para dar sustentação ao avanço dos indicadores, o Governo do Distrito Federal também anunciou novos aportes e medidas de desburocratização na gestão de insumos.
Foi liberado um investimento de R$32,1 milhões destinado à contratação de mais 5 mil cirurgias específicas nas áreas de ginecologia, com foco em 2.081 histerectomias, e otorrinolaringologia, com a previsão de 3.017 procedimentos como septoplastias e amigdalectomias.
Paralelamente, o Executivo local assinou o decreto de reformulação do Programa de Descentralização Progressiva das Ações de Saúde.
A medida confere maior autonomia financeira direta aos gestores na ponta da linha, permitindo que os diretores de hospitais e Unidades Básicas de Saúde realizem compras emergenciais de insumos, contratação rápida de serviços e reparos estruturais imediatos sem a dependência de tramitações administrativas centralizadas e lentas.