Sindicato do BC aprovou gasto de até R$ 300 mil para vídeo de Luana Piovani contra PEC

Ata mostra que contratação da atriz foi aprovada para campanha contra proposta que amplia a autonomia administrativa do Banco Central

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) aprovou a destinação de até R$ 300 mil para a contratação da atriz Luana Piovani em uma campanha contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia financeira e administrativa do Banco Central.

De acordo com ata de reunião realizada em 9 de junho, a contratação foi aprovada pelo conselho da entidade com cinco votos favoráveis e uma abstenção.

No mesmo dia, a atriz publicou em suas redes sociais um vídeo criticando a proposta, identificando o conteúdo como publicidade por meio da hashtag “#publi”.

Segundo o documento, a presidente do Sinal-DF e diretora de Relações Externas da entidade, Edna Velho, defendeu uma atuação mais intensa do sindicato nas redes sociais diante da possibilidade de avanço da PEC no Senado.

“Nesse contexto, foi sugerida a contratação da atriz e influenciadora Luana Piovani para participar de campanha de comunicação voltada à crítica da PEC, considerando sua atuação pública em manifestações relacionadas a temas de interesse social e a propostas consideradas prejudiciais à população”, registra a ata.

O documento também informa que a dirigente já havia mantido contato prévio com a atriz para discutir a possibilidade de contratação e os valores envolvidos.

“A presidente informou sobre a conversa com a profissional e seu alinhamento à posição defendida pelo sindicato, além do valor cobrado pela gravação de um vídeo e postagem no perfil oficial da atriz”, diz o texto.

Ainda segundo a ata, “a proposta da contratação foi colocada em votação com valor de até R$ 300 mil”. Na semana anterior, o sindicato havia negado o pagamento à atriz.

Além da contratação de Piovani, o Sinal aprovou, em 29 de maio, a destinação de mais R$ 250 mil para ampliar a campanha contra a PEC. A justificativa apresentada foi a boa receptividade e o alcance das ações realizadas em diferentes meios de comunicação.

A PEC da autonomia financeira do Banco Central foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 10 de junho e aguarda votação no plenário da Casa. O texto gera divergências tanto entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda quanto entre os próprios servidores da instituição. No vídeo divulgado nas redes sociais, Luana Piovani afirmou ter estudado o tema antes da gravação e criticou a proposta.

“No Brasil resolveram criar a roda, estão querendo inovar, gente. Querem colocar o Banco Central independente do governo e sujeito a sofrer influências externas. Gente, isso não tem cheiro de perigo? Me parece um risco gigantesco”, declarou.

A proposta foi apresentada durante a gestão de Roberto Campos Neto. Após alterações feitas durante a tramitação, o texto aprovado na CCJ manteve os servidores sob o regime estatutário e preservou a vinculação da remuneração ao teto do funcionalismo federal.

O presidente do Sinal, Epitácio Ribeiro, afirma apoiar a autonomia do BC, mas discorda do modelo previsto na PEC. Segundo ele, a mudança para uma “entidade pública de natureza especial” deixa em aberto questões relacionadas à estrutura administrativa.

Já a Associação Nacional dos Auditores e Procuradores do Banco Central (ANBCB), presidida por Thiago Cavalcanti, defende a proposta. A entidade argumenta que o texto garante autonomia orçamentária ao BC sem comprometer as carreiras dos servidores.

Em 2024, uma assembleia promovida pelo Sinal registrou rejeição de 74% dos participantes à proposta então em discussão. Defensores da PEC, por outro lado, afirmam que as mudanças realizadas no texto alteraram o cenário e sustentam que levantamentos informais apontam maior apoio à medida entre os servidores atualmente.

Sair da versão mobile