PF diz que ex-escrivão monitorava investigações de interesse de Vorcaro
Relatório aponta uso de sistemas restritos da corporação para levantar informações em benefício do ex-controlador do Banco Master

A Polícia Federal afirma que o ex-escrivão Marilson Roseno da Silva utilizou sistemas internos da corporação para monitorar investigações de interesse do empresário Daniel Vorcaro desde pelo menos agosto de 2021. As informações constam em relatório tornado público nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça. A divulgação ocorreu após o ministro Gilmar Mendes liberar para julgamento o caso envolvendo as prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do empresário.
Segundo a PF, Silva realizava consultas direcionadas nos sistemas da instituição para verificar a existência de investigações envolvendo Vorcaro e pessoas próximas a ele.
Os investigadores afirmam que o então policial federal utilizava seu acesso funcional para obter informações privilegiadas e acompanhar apurações sigilosas. Preso em maio deste ano, Marilson é apontado como líder do grupo “A Turma”, que, de acordo com a investigação, atuava na obtenção de informações sobre inquéritos em andamento, além do levantamento de dados de pessoas físicas e jurídicas em sistemas restritos.
A Polícia Federal sustenta que o grupo também promovia ações de intimidação contra pessoas consideradas contrárias aos interesses de Vorcaro. O relatório cita ainda consultas realizadas sobre Antônio Augusto Conte, antigo sócio do empresário.
“A circunstância ganha especial destaque, tendo em vista que ambos mantiveram relação societária e de parceria empresarial com Daniel Vorcaro, durante um período, conforme ampla divulgação pela imprensa econômica e investigativa”, registra o documento.
Em outro trecho, a PF afirma que a análise dos acessos demonstra que Silva “atuava no interesse de Vorcaro desde no mínimo o mês de agosto de 2021”.
A investigação revelou mensagens entre Vorcaro e o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, sobre a “emenda Master”, proposta apresentada por Ciro Nogueira para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC.
Segundo a PF, as conversas sugerem que a proposta teria sido elaborada dentro do próprio Banco Master e posteriormente encaminhada ao parlamentar. Em uma das mensagens, Paulo Sérgio alerta Vorcaro sobre a reação negativa do mercado financeiro à medida.
Paulo Sérgio foi alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em março. De acordo com a investigação, ele atuava informalmente em favor dos interesses do Banco Master perante o Banco Central e teria recebido vantagens indevidas por essa atuação.
Também investigado na operação, Bellini Santana é suspeito de atuar em benefício dos interesses de Vorcaro. Ambos utilizam tornozeleira eletrônica por determinação judicial.