Caiado mantém 51 policiais de GO para segurança pessoal em São Paulo
Ex-governador e pré-candidato à Presidência conta com efetivo superior ao de um pelotão; equipe nega dedicação exclusiva dos agentes

O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) passou a contar com 51 policiais militares de Goiás para realizar sua segurança pessoal e de familiares em São Paulo, onde se estabeleceu após deixar o governo estadual em março deste ano.
O contingente, superior ao efetivo de um pelotão militar, foi autorizado por uma portaria publicada um dia após a renúncia de Caiado ao cargo. O ato, assinado pelo secretário-chefe da Casa Militar de Goiás, Marco Aurélio Godinho, regulamentou a segurança de ex-governadores e ampliou as possibilidades de atendimento a familiares.
A norma prevê que o benefício seja concedido por período equivalente ao tempo de exercício do mandato, desde que superior a três anos. Caiado governou GO por mais de sete anos. O texto também estabelece que despesas com transporte, hospedagem e apoio logístico sejam custeadas pela estrutura estadual.
Questionado sobre o número de agentes na operação, o governo de Goiás informou que não divulga detalhes do efetivo por razões de segurança. A administração afirmou ainda que os policiais atuam em sistema de revezamento e não em dedicação exclusiva.
Em nota, a equipe de Caiado declarou que sua segurança é realizada por quatro integrantes que trabalham em escalas alternadas. A assessoria não contestou a informação de que 51 policiais disponíveis para compor a estrutura de proteção.
O presidenciável afirmou que a medida se justifica pelo histórico de enfrentamento a facções durante sua gestão em Goiás e acrescentou que deverá receber proteção complementar da Polícia Federal após a formalização de sua candidatura ao Planalto.
O caso reacende o debate sobre os limites e a transparência dos benefícios concedidos a ex-governadores. Em decisões anteriores, o Supremo Tribunal Federal já ressaltou que esse tipo de prerrogativa deve observar os princípios da moralidade e da isonomia.
Levantamento feito junto a estados cujos governadores deixaram o cargo neste ano para disputar eleições mostra que as regras variam conforme a legislação. No DF, por exemplo, a norma prevê quatro servidores e um veículo oficial para a segurança de ex-governadores.