Zema culpa Lula e diz que política externa virou palanque
Após o novo tarifaço dos EUA, Romeu Zema defende uma diplomacia voltada aos interesses do Brasil

O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, criticou a condução da política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a confirmação de um novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros.
Em declaração divulgada nesta quinta-feira (16), Zema afirmou que o governo federal “errou feio” ao administrar a relação diplomática com Washington e disse que a política externa foi transformada em um “palanque eleitoral”.
Segundo Zema, o governo brasileiro deveria ter priorizado negociações diplomáticas para preservar os interesses comerciais do país e evitar o agravamento das tensões entre Brasília e Washington.
Para o ex-governador de Minas Gerais, a criação de atritos com os Estados Unidos contribuiu para o cenário atual das relações bilaterais.
Apesar das críticas ao Palácio do Planalto, Zema também afirmou que a decisão do governo norte-americano de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras é prejudicial ao Brasil.
Ele declarou que a medida reduz a competitividade da indústria nacional, ameaça empregos e afeta uma relação comercial considerada histórica entre os dois países.
As novas tarifas foram confirmadas após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O órgão norte-americano apontou práticas comerciais brasileiras que, na avaliação de Washington, restringem ou oneram o comércio entre os dois países.
Entre os temas mencionados estão regras relacionadas ao Pix, ao acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, questões ligadas ao combate ao desmatamento ilegal e medidas envolvendo propriedade intelectual e pirataria.
O governo dos Estados Unidos informou que as novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.
Ao mesmo tempo, ampliou a lista de produtos excluídos da sobretaxação.
Permaneceram fora da medida itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose.
Já produtos como etanol, máquinas agrícolas e papel continuam sujeitos à tarifa adicional.
A manifestação de Zema ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre o governo federal em razão dos impactos econômicos do tarifaço.
O tema passou a mobilizar setores do Congresso Nacional e representantes da indústria, enquanto o governo brasileiro busca alternativas diplomáticas para reduzir os efeitos das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.