Mercado corta previsão da inflação em meio à crise internacional
Novo Boletim Focus aponta redução da expectativa para o IPCA de 2026, mesmo com o aumento das tensões geopolíticas no cenário externo

O mercado financeiro reduziu novamente a projeção para a inflação brasileira em 2026, de acordo com a edição mais recente do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central.
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,30% para 5,16%, marcando a segunda semana consecutiva de recuo nas previsões, embora o índice permaneça acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
A revisão ocorreu em meio ao ambiente de incerteza provocado pela retomada das tensões militares entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O conflito elevou a volatilidade dos mercados internacionais e reacendeu preocupações com possíveis impactos sobre os preços da energia e das commodities, fatores que costumam influenciar a inflação em diversos países.
Apesar desse cenário externo, as expectativas do mercado apontaram para um leve alívio nas projeções inflacionárias.
Ainda assim, a previsão de 5,16% segue acima do limite superior da meta perseguida pelo Banco Central, indicando que o controle da inflação continua sendo um dos principais desafios da política monetária.
Em relação à atividade econômica, a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 permaneceu estável em 1,99%, sinalizando que o mercado não alterou suas projeções para o desempenho da economia brasileira diante do atual cenário internacional.
As estimativas para a taxa básica de juros (Selic) e para o câmbio também foram mantidas no levantamento desta semana, refletindo uma percepção de estabilidade nas expectativas dos agentes financeiros para esses indicadores, mesmo com o aumento das incertezas geopolíticas.
O Boletim Focus é elaborado semanalmente pelo Banco Central a partir das projeções enviadas por instituições do mercado financeiro.
O relatório reúne expectativas para inflação, crescimento econômico, juros, câmbio e outros indicadores que servem como referência para acompanhar a percepção do mercado sobre os rumos da economia brasileira.