‘Não há operação de busca em andamento’, diz embaixador sobre Zambelli

Mandado da Interpol limita ação da polícia italiana a espaços públicos; extradição só será discutida após eventual detenção

O embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca informou na segunda-feira (9) que não há operação de busca em andamento para prender a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), que se encontra na Itália desde a última quinta-feira (5) após ser condenada a 10 anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O mandado de prisão expedido pela Interpol a pedido do Brasil prevê a detenção da parlamentar apenas em espaços públicos, o que limita a atuação das autoridades locais.

“Mesmo que haja o conhecimento de que ela estaria em determinado local, dentro de uma casa, não há mandado de busca. A polícia [italiana] não pode entrar dentro de uma casa para retirá-la e prendê-la. Ela terá de ser presa no momento em que estiver em local público”, explicou Mosca, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Zambelli deixou o Brasil horas antes da divulgação do pedido de prisão pela Interpol, que foi expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após sua condenação.

A parlamentar desembarcou no aeroporto Fiumicino, em Roma, cerca de quatro horas antes de o alerta internacional de detenção ter sido oficialmente difundido às autoridades italianas.

O paradeiro exato da deputada é desconhecido pelas autoridades brasileiras. A busca e monitoramento cabem exclusivamente à polícia italiana, segundo Mosca.

A deputada afirmou à CNN Brasil que está na Itália de “boa-fé” e alegou ser vítima de perseguição política.

“Vou declarar os meus dados para pegar os documentos. Estou aqui de boa-fé”, declarou.

A interlocução entre Brasil e Itália está ocorrendo por meio de duas frentes: um adido da Polícia Federal mantém contato com as forças policiais italianas, enquanto o embaixador negocia com os ministérios das Relações Exteriores e do Interior italianos.

No entanto, segundo Mosca, o tema da extradição ainda não foi tratado, uma vez que esse processo só pode ser iniciado após a detenção formal da parlamentar.

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