Lula visitou favela após articulação com associação ligada ao PCC
Entidade que viabilizou agenda presidencial na Favela do Moinho é presidida por condenada por homicídio e irmã de líder do tráfico local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama, Janja da Silva visitaram a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, após articulações com associação ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações do Portal Metrópoles, a visita foi viabilizada após reuniões com a Associação da Comunidade do Moinho, entidade presidida por Alessandra Moja, irmã de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como “Léo do Moinho”, apontado como líder do tráfico local e ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Alessandra Moja, tem 40 anos e é irmã de Leonardo e Jefferson Moja, todos citados em denúncias por vínculos com o PCC. Alessandra foi condenada por homicídio em 2005, após matar uma mulher a facadas e tentar assassinar um homem com a ajuda da irmã.
A filha dela, Yasmin Moja, também representou a entidade em reuniões com o governo federal.
Desde o fim de 2023, representantes do governo se reuniram ao menos cinco vezes com a associação. Em maio deste ano, Alessandra publicou nas redes sociais um vídeo de uma dessas reuniões, que contou com a presença da secretária-executiva da Secretaria-Geral da Presidência, Kelli Mafort.
A favela comandada pela facção costuma ter acesso restrito a não moradores.
Documentos obtidos pelo Metrópoles revelam que a sede da associação foi usada para armazenar drogas da facção.
Segundo informações da Receita Federal, o local fica no número 20 da Rua Doutor Elias Chaves, onde também foi realizado uma operação da Polícia Civil em agosto de 2023, com apreensão de cocaína, maconha e crack.
O endereço armazenava cinco tijolos de cocaína, “608 porções de cocaína na forma de crack” e 98 porções e três tijolos de maconha.
A entidade também consta na agenda oficial do ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), que esteve na comunidade dois dias antes da visita presidencial para negociar a agenda do presidente.
Durante a passagem por São Paulo, Lula e Janja visitaram a favela, posaram para fotos com representantes da associação e anunciaram um acordo para realocar cerca de 900 famílias que ocupam a área, pertencente à União, para, futuramente, transformá-la em um parque.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Favela do Moinho é controlada pelo PCC e usada como ponto estratégico para a distribuição de drogas no centro da capital.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP afirmou que a “família Moja se aproveitou da ausência do Estado para instalar um ambiente de práticas criminosas”.
Em nota a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (SECOM) afirmou que “a agenda do Presidente da República na Favela do Moinho, em São Paulo, teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade e ao anúncio de políticas públicas em uma das regiões mais vulneráveis da cidade”.
“A agenda na Favela do Moinho teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as 900 famílias que residem naquela localidade. O acordo de solução habitacional para a Favela do Moinho foi construído entre o governo federal e o governo do Estado de São Paulo.”, diz outra parte do comunicado.