Moraes diz que inconsistência de informações motivou buscas contra Bolsonaro

Operação não encontrou nenhuma arma na casa do ex-presidente

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, argumentou nesta quarta-feira (8), em sua decisão, que a busca na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se dá pela inconsistência de informações prestadas pela defesa a respeito de armas registradas em seu nome e que estão desaparecidas.

Segundo o ministro, a versão detalhada pela defesa de que uma arma estaria no Rio Grande do Sul diverge de dados dos registros existentes e não foi acompanhada de uma documentação capaz de comprovar a localização de uma pistola.

Ao todo, 10 armas estão registradas no nome do ex-chefe do Executivo e ambas deveriam ser entregues à Polícia Federal (PF) após ampliação de seu direito à prisão domiciliar.

“A discrepância entre as informações constantes dos autos e aquelas posteriormente apresentadas pela Defesa torna imprescindível a adoção de busca e apreensão domiciliar a fim de assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado Jair Messias Bolsonaro”, disse o ministro em trecho da decisão.

A defesa entregou seis das oito armas que estariam sob posse do Exército. Segundo o tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, as únicas exceções são uma pistola Glock calibre 9 mm e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12 GA.

Ao todo, oito armas pertencem a Bolsonaro, sendo elas:

  • Pistola Taurus, calibre .380 Auto;
  • Pistola Taurus, calibre .40 S&W;
  • Pistola Glock, calibre 9×19 mm Parabellum;
  • Carabina/Fuzil Caracal, calibre 5,56×45 mm;
  • Pistola Caracal, calibre 9×19 mm Parabellum;
  • Carabina/Fuzil Springfield Armory, calibre 7,62×51 mm;
  • Espingarda Typhoon, calibre 12 GA;
  • Pistola Arex, calibre 9×19 mm Parabellum;
  • Pistola SIG Sauer, calibre 9×19 mm Parabellum;
  • Espingarda Maestro Arms Company, calibre 12 GA.

Após a operação realizada nesta quarta-feira, a defesa do ex-presidente afirmou que nada foi encontrado no local. O procedimento durou cerca de 1 hora e 30 minutos.

Para atender ao pedido de ampliação do direito de domiciliar, Moraes decidiu revogar o direito de posse de arma e o registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).

Ele também determinou que todo o arsenal vinculado ao ex-presidente fosse entregue à PF.

Em relação às armas desaparecidas, a defesa afirmou que uma das armas (pistola Glock calibre 9 mm) em questão já está apreendida, sendo ela a que foi apreendida em uma blitz, em Taguatinga-DF, com um segurança do GSI, que a levaria para manutenção a pedido de Bolsonaro.

Sobre a espingarda Maestro Arms Company calibre 12 GA, desde sua aquisição, está em uma empresa de artigos bélicos sediada em Caxias do Sul (RS). Foi ressaltado que a arma foi recebida como “título de presente” e que nunca chegou a ser retirada da loja.

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