Ex-sócio do Master bancou show e jato para Wagner, diz PF
Os episódios nos autos da investigação mostram a relação de proximidade entre Augusto Lima e Jaques Wagner

Segundo o relatório da Polícia Federal (PF), publicado nesta quinta-feira (18) após uma nova diligência decorrente da operação Compliance Zero, o líder do PT no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), teria recebido valores de um ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Lima, como ingresso de um show e voos em jatinhos nos valores de R$ 63,3 mil a familiares do senador na Califórnia, nos Estados Unidos (EUA).
Segundo a decisão deferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Augusto Lima teria orientado sua secretária, por meio de mensagens, a tratar de ingressos de um show na cidade, em um sábado, em que trataria de ter recebido os arquivos de acesso ao camarote.
Mensagens afirmam que Wagner havia solicitado o acesso para cinco pessoas.
“Em 23/11/2023, JAQUES questionou AUGUSTO sobre os “ingressos de sábado” (no caso, dia 25/11/2023), tendo recebido os arquivos de ingressos para camarote. Posteriormente, solicitou ampliação do número de entradas para cinco pessoas, ao que AUGUSTO respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”, relata o ministro na decisão.
Segundo a PF, aeronaves particulares do empresário estariam disponíveis para o deslocamento do senador e de integrantes de sua família. Em um dos episódios, Augusto Lima teria colocado à disposição um avião para fazer uma viagem de Salvador, na Bahia, para a chamada Ilha da Paixão (BA).
Os episódios nos autos da investigação mostram a relação de proximidade entre Augusto Lima e Jaques Wagner.
Como destacado em outra operação contra políticos, o parlamentar petista teria usado o cargo de senador para atuar em pautas do interesse da entidade fraudulenta de Daniel Vorcaro.
A decisão registra que a PF considera Wagner o “beneficiário central” das vantagens econômicas investigadas no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero, figurando, segundo os investigadores, como o agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais.
O senador ainda não se manifestou publicamente sobre a operação.